A song to America. Nice present to 2018. If it was me, I would write to different continents. Others, more of my color. As in my room, nature settled in with just some KWD. My green plastic bush, I still haven't forgotten how he said "green plastic hedge" but that was going to be well there at home, and I remembered a song but I didn't say it, nor is it the song for tonight. Cat Power has released a new album that goes in time for Christmas. When we are happy, we look beautiful. We became poems. As you are poem, and you can look. In your mirror, in your face.
Uma canção para a América. Belo presente para 2018. Já eu, escreveria para outros continentes. Outros, mais da minha cor. Como no meu quarto, a natureza se instalou com alguns KWD. O meu arbusto de plástico verde, ainda não me esqueci como ele disse «green plastic hedge» mas que ia ficar bem cá em casa e lembrei-me de uma música, mas não disse, e nem é a canção para esta noite. A Cat Power lançou um novo álbum que vai a tempo do Natal. Quando estamos felizes, ficamos bonitos. Ficamos poema. Como tu és poema, e podes ver. In your mirror, in your face.
O verdadeiro amor espera. I'm not living / I'm just killing time. O frio intensificou-se nesta Normândia. Cada vez que me falas em calor, eu penso em voltar a cumprimentar um mar que ainda não conheço. Penso em vulcões e palmeiras. Fico cheia de ideias. Claro que há quem não concorde com nada disto. Antes de escutar o meu sangue, decido com o coração sobre a minha vida. E sobre o que pensam os outros, os franceses dizem assim: Je m'en fous complètement.
Tudo no seu lugar. Cada coisa. Assim se antecipa um mesmo sítio que nos embarque. Do mesmo género da perfeição equidistante das estrelas, também num movimento imperceptível. Às vezes não chega o que se vê de tão longe mas, outras, se é isto que dás então é isto que tens. E assim, mais tarde ou mais cedo, tudo no devido lugar. Cada um em face do outro. Porque nada é mais forte do que aquilo que se sente um bocadinho à esquerda do centro do peito.
«Honesty saves everyone's time.» Ter-me-ia feito mais leve. Sonho rodear-me de gente verdadeira. Continuo a pensar no tropeço que dei. E não sei se entendi. Por que razão eu trabalho para prevenir todos os males e no meu espelho aquilo se espalha e multiplica. Ou sobre a ficha onde se lê Trébuchement com um quadradinho ao lado. Não dá para compreender, rapaz. É preverso. Que raio de sentimento achei eu haver em nós. Dreamers. They never learn. They never learn. Esta música é triste, a vida é estranhamente dura, e o amor tem espinhos-mutações. Mas depois passa, como uma canção gasta. Daquelas que não ouviremos mais.
So what happens if they don't die at the age of 33? Because the ones that die young stay forever young. And if, suddenly, they are almost 54? Can they stay as fabulous as before? Truth is there are some of those. This release happened this week. It isn't a myth that vocals are to be timeless. If this lady does not love what she do, she does fool me well. At the 4:18 minute she is even more herself. One year ago, I talked here about covers and Tori, because contrary to what she says in the version of Yorke, she belongs here, that voice belongs to us all, for at least another 100 years.
| Pt |
Afinal o que lhes acontece se não morrem aos 33? Porque os que morrem seguram-se eternamente no auge. E, se, de repente, já vão a caminho dos 54? Será que podem continuar fabulosos? Na verdade há disto. Esta versão aconteceu esta semana. Não é um mito um timbre ser intemporal. Se esta senhora não ama o que faz, engana-me bem. Ao minuto 4:18 ainda é mais ela. Há um ano falei aqui de covers e da Tori porque ao contrário do que diz na versão de Yorke, ela pertence aqui, aquela voz é de todos nós, durante pelo menos mais 100 anos.
I jumped in the river and what did I see? At the bottom, the beginning of the seabed. Just like a water pyramid without contrast at its edges. «If a tree falls in the forest and no one is around to hear it does it make a sound?»
| Pt |
Saltei para o rio e o que é que eu vi? Ao fundo, o princípio do fundo do mar. Talqualmente uma pirâmide de água de arestas sem contraste. Se uma árvore cair na floresta e não estiver ninguém a ouvir, será que produz algum som?
Quase catorze anos passados desde a edição desta faixa com o álbum Stories From the City, Stories From the Sea, Polly Jean e Thom Yorke, brincavam com helicópteros. E porque as cidades (e também o mar) contêm inúmeras histórias, esta é uma melancólica procura da perfeição. Ficaram os barquinhos alinhados na água e as árvores perpendicular e ligeiramente longe da costa, escrevendo-as. Enquanto isso, «The city sunset over me.» (E o que dizer entre aspas voltadas ao contrário, com tempos invertidos?, acrescentem-se os parênteses enquanto penso.) «You look me/ In the eye directly.» Olhas para mim, directamente nos olhos. Falas de outras cidades como porto de futuro. Olhas-me nos olhos e sinto que a minha vontade pesa. Tu dizes que pesa e eu sei que a confusão é nossa. Ainda ontem fomos ver a cidade em lego. Gostaste tanto da manchinha de espuma feita com pequenas peças transparentes. Mas as cidades não estão numa vitrina de passagem, estão cimentadas e empedernidas a distâncias por escolher. Quando eu era pequenina, o meu pai (muito muito alto) levava-me pela mão e eu era um peso oblíquo. Parecia que andava meio a voar. Não levitava como os «objectos» que a Natsumi Hayashi utiliza, porém, era um caminhar bizarro, só um dos pés assentava no passeio, o outro dançava numa espécie de ponta num jeito mal equilibrado. Depois eu cresci e tu também cresceste e o caminho agora faz-se (às vezes sobre o chão) a quatro pés, juntos.
Foi em 2006 que um grupo de amigos bracarenses se juntou. Influenciados pelos Sigúr Rós, U2, Radiohead, entre outros, chamaram ao seu projecto Utter, termo que traduzido significa “completo, absoluto, inteiro, infinito” porque aspiravam ao canónico, ao elevado e ao total. As letras são em Inglês e é nesta língua que definem a música que fazem: “Our music is always inspired by the universe, by the places where we’ve been (...) by listening to our music, we want people to be carried away to an imaginary place where everything's controlled through the natural equilibrium of the universe”.
via Facebook página oficial dos Utter
Foram finalistas do Festival Termómetro em 2011, e, nesse mesmo ano, editam o álbum “Empty Space”, cujo nome porventura poderia ter surgido em género singular da canção de título quase semelhante (ou não estivesse no plural) do álbum “The Wall” de 1979 dos Pink Floyd. E apesar do título, com os Utter nenhum espaço é deixado vazio.
November 1st abre as cortinas do álbum para uma paisagem atmosférica e instrumental. Entramos no espírito. Segue-se The Same Thing, os instrumentos são complementados com uma letra que (não encontrei disponível e) me parece ser esta:
Who Am I to teach you
If you keep me warm
But who am I to tell you
We are losing time
But who am I, and who am I, to rest you
We will be just fine
There ain’t no one to save you
We must go
But who are them to change you
We can always run away
And you just have to trust me
It won't be better if you stay
But who am I, and who am I, to rest you
We will be just fine
Would you trust me back? It's your time to go
Would you trust me back? It's your time to go
It’s time to go
If you leave me out here I'll be cool
Do you see?
Do you see?
If you open your eyes I’ll be there.
A estética musical dos Utter é um agregado de coerência electrónica onde a guitarra estende caminhos que a voz de João Pedro Botelho percorre. Não há obstáculos. Nada parece estar a mais. Nesta faixa, por momentos quase sem instrumentos - não fora uma mão dedilhar as cordas da guitarra -, o tom vocal eleva-se mas, a harmonia nunca é descontinuada interpelando-se, logo a seguir, a primeira corrente musical. A versão acústica ilustra a competência da banda:
Into the Light carrega algumas influências dos Sigur Rós. Old Guitar é uma promessa de liberdade, uma projecção de futuro dedilhada nas cordas da guitarra. The Walking Dead é talvez a faixa mais pop, o videoclip oficial foi gravado na Crácia (em Zagreb) e entregue de presente aos Utter. Volta a sensação de experimentalismo em Empty Space. You Draw A Line Between contou com a colaboração dos Noiserv. Em So Beautiful, fala-se de sonho. O som é expansivo. A letra inspiradora. Podemos deitar-nos num campo e olhar o céu transportando-nos dali. Primeiro através do teclado, como um colchão confortável. Depois o movimento acontece. O coração bate depressa. Apetece deixar-nos ir. Intuimos uma paisagem geométrica que nos embala e vagueamos deitados ao sabor da vibração das cordas friccionadas. O que ouvimos condiz com este vídeo (não oficial) que foi editado por um fã e que os Utter já divulgaram na sua página.
Aguarda-se novo disco para o início de 2014 mas, desde o Verão passado, João Botelho e o guitarrista Galiano dividem-se entre este projecto e o Colibri que, no último ano, os tem mantido ocupados. Resta saber qual dos projectos voará mais alto, se o beija-flor a cantar em português, ou, se este que é inteiro, completo e totalmente (utter) em inglês, ainda que o principal e comum aos dois seja universal: afinal, tudo isto é música.