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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Pato

I've just received Jóquei. And it was like this again. I was retrieving the voice of my songs (only to say that here I speak of music) as the sun was pointed to me. And I was seeing again. The pleasure of communicating. The blood clinging to my poetry. I go back to being me. Concerned about the joy that flows in my veins. My joy so great. The rest? At the edge of the dish. And what runs in the other people's blood? I don't care about the big lake of the world. I wish everyone to be happy. And «the duck was dancing by the water, quack, quack, quack».


The duck was quacking.
The duck was laughing.
The duck was dancing by the water, quack, quack, quack
The rhythm made him think he oughta quack, quack
He was dancing to the samba, the samba, the samba
Oh, goose, oh.

The goose was gaining passing by, honk, honk, honk
He stopped and gave the dance a try, honk, honk
The bossa nova had him dancing
The new thing. The new swing.

The a lovely swan swam by, in all her majesty,
and she loosened up.
Hoochy-coochy-coo did that swan.
She joined the duck and goose and did the samba too.
You should have seen the kind of samba she could do.
They did the samba so long, they all fell right in the water.
While they were singing away,
quack quack quack, quack quack quack
O PATO.

O pato vinha cantando alegremente, quém, quém
Quando um marreco sorridente pediu
Pra entrar também no samba, no samba, no samba
O ganso gostou da dupla e fez também quém, quém
Olhou pro cisne e disse assim "vem, vem"
Que o quarteto ficará bem, muito bom, muito bem
Na beira da lagoa foram ensaiar
Para começar o tico-tico no fubá
A voz do pato era mesmo um desacato
Jogo de cena com o ganso era mato
Mas eu gostei do final quando caíram n'água
E ensaiando o vocal
quém, quém, quém, quém
quém, quém, quém, quém
O PATO


| Pt |

Chegou o Jóquei. E era assim outra vez. Eu a recuperar a voz das minhas canções (só por falar que aqui eu falo de música) como se o Sol me apontasse a mim. E eu a ver outra vez. O prazer da comunicação. A poesia agarrada ao meu sangue. Eu a voltar a ser eu. Preocupada com a alegria que me corre nas veias. A minha alegria tão grande. O resto? Na beira do prato. E o que vai no sangue dos outros? Que me importa o grande lago do mundo. Gostava que todos fossem felizes. E «o pato estava a dançar junto à água, quack, quack, quack».

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Matilde Campilho

Esta publicação só faz sentido em língua portuguesa, onde, por agora, a poeta se lê, seja em Portugal seja do outro lado do oceano, onde cavalga o Jóquei, onde se esgota nas livrarias. E diz o artigo  que «caiu como um meteorito. Algo que escapou aos radares, não previsto pela meteorologia, feito de uma matéria desconhecida, vindo de um lugar não-identificável, ainda a arder.» Eu não concordo, para mim previa-se que fosse assim. Eu disse ainda em Novembro como ia ser assim. Este blogue é dedicado à música, porém, a poesia também ondula as palavras. Música e poema são de uma génese prima, é o mesmo sangue que arde, quando nos toca. E como toca. Era Novembro quando apresentei a Matilde aqui, e no final do ano partilhei um video-poema dela que gostava que fosse de toda a gente, e em Abril foi outro. Partilhar é isto. Explicar como aquilo que somos, por vezes, resulta muito bem em outros. Ler a Matilde dá-me vontade de pegar em caderninhos outra vez, distribuí-los nas malas, nas mochilas e nos bolsos. Recolher ideias e depois juntá-las em poema. Isto não é sonhar, é fazer acontecer. Posso fazer fotografias e fazer poemas porque é a fazer coisas que nos entendemos. Ainda posso escolher uma música se, como ela, os decidir ler em voz alta. Esta publicação só faz sentido em língua portuguesa, e o título é aquela música dela, que é também nossa sempre que ela se lê. 



sexta-feira, 25 de abril de 2014

The Awakening Of A Woman

Good thing to write in English is that the effort to write poetic prose fades. The reason is I do not have the full capacity to evaluate the quality of my writing when I write in another language. On the other hand, I have much more to say in Portuguese, and always in the broadest and most creative sense. The composition is more pure, the notes are released more naturally. Energy is lost in translation. I need literature in English, reading great novels to improve my performance. In the meantime, I've been listening to the new poem of Matilde Campilho and felt exactly this feeling. That is good. Too good to miss. And I miss writing in my language. It's my way of freedom.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Conversa de Fim de Tarde Depois de Três Anos no Exílio



E 
eis 
o novo 
vídeo-poema
/publicado ontem\
 da Matilde Campilho
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sábado, 30 de novembro de 2013

The Golden Age

Em homenagem à década de 80 e a todos aqueles que prometem muito para os anos que vêm, como a Matilde Campilho, o Yoann Lemoine, e outros... Porque há sempre muita gente que gostaria de ter tido o privilégio de conhecer à nascença mas essas pessoas aparecem-me bem mais tarde. Ainda assim, fico grata ao acaso por estas apresentações distantes. Dizê-lo é também uma precipitação, não conheço muito o Yoann - sei que o rapaz andou esta noite pelo São Jorge -, mas em compensação, punha o meu pescoço pela Matilde. O sucesso dela parece-me evidente e justo. Não lhe conheço página «de likes» no Facebook nem nenhuma morada na web a publicitar os seus poemas. Procurei e não encontrei, salvo na blogosfera, onde outros antes de mim também quiseram mostrá-la ao mundo. A Matilde Campilho há-de pertencer ao grupo de pessoas que não precisam muito (ou, provavelmente, não precisam nada de nada) de montras para acordar de manhã com aprovação externa. Quem entende de modéstia está muito consciente disto. A Matilde é poeta, ocupa-se das palavras, e eu já assisti a alguns vídeos onde dita poesia de uma maneira que me faz sentido. Penso que ressoará da mesma natureza a quem tiver que entender isto com similar plenitude. Como se ela escolhesse palavras para colocar dentro de um saco escuro, alguém sacudisse o saco diante de mim e eu encontrasse ali as palavras que acharia mais certas se tivesse sido eu a escolhê-las. No entanto, sabendo que, se esse episódio tivesse efectivamente acontecido, eu jamais acertaria naqueles vocábulos exactos por razão de a fonte ser tão vasta que eu não acreditaria em coincidências. Mesma conversa se fosse eu a podar o bonsai, se fosse eu a fazer o arranjo de flores... Quando gosto do resultado da obra que o outro faz, fico quieta a apreciar porque sou igualmente feliz. Existe uma palavra do Japão que serve para expressar a beleza encontrada na simplicidade das coisas. Essa palavra é «wabi». E «wabi» é a luminosidade que se reflecte depois de a Matilde dourar as palavras, e eu as encontrar naquela sua ordem.