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domingo, 11 de maio de 2014

Breakdown

«Breakdown explores a 2 dimensional simulated world in which its physical rules are constantly being changed and manipulated by an external entity. An inhabitant of this world is in constant motion to adapt to its characteristics. He interacts with the physical rules and develops a dialogue with the entity who controls the forces. Eventually the inhabitant ends up breaking the world's rules and release himself into a new world, a new dimension.»


Rodrigo Carvalho: Interactive Visuals (visiophone-lab.com)
Yago de Quay: Dance, Voice, and Music Composition (yagodequay.com)
Sunny Shen: Dance and Choreography 
Po-Yang Sung: Lighting
Meg Seidel: Videographer (vimeo.com/kegmeg)

sábado, 19 de outubro de 2013

Time Flies (vs. Kinetic Sculptures)

A propósito dos últimos posts relacionados com a Holanda e, lembrando-me da maravilhosa obra de Theo Jansen (também ele natural de Scheveningen, Haia, onde fotografei o arco-íris e a face esculpida de Igor Mitoraj), trago agora as esculturas cinéticas tridimensionais de Anthony Howe que merecem a máxima atenção. 



Por exemplo, esta face cinética atravessada pelo vento parece ter sido esculpida em simbiose com a natureza, como se os cem pequenos painéis de metal, movidos independentemente, lhe impregnassem vida, através das expressões que, conjuntamente, se conseguem visualizar. Esta semana o colectivo The Creators Project deu visibilidade a outras estruturas de Howe. 


No anterior vídeo são prestados - por este artista - alguns esclarecimentos relacionados com a sua inspiração para a realização do trabalho hipnótico. Tendo iniciado o seu ofício na pintura, Howe revelara-se "entediado com tudo o que estava estático no mundo visual, que queria ver a fluir". Pelo que decidiu desenvolver os seus projectos em 3D, através de programas de animação, dando uso ao material de que dispunha por meio de maquinaria integrada de corte em metal curvado. Como resultado, criou as esculturas cinéticas eólicas. E há mais peças a seguir, ao som de Erik Satie:



Agora, depois de décadas de trabalho, Howe revela que tem planos para criar a maior escultura cinética em todo o mundo (com cerca de 25 metros de altura) mas até lá a competição intensifica-se e a tecnologia caminha a passos largos porque a luz e a cinética já andam de mãos dadas a puxar por um futuro que se espreita cada vez mais próximo. Os inventores são os WHITEvoid e o vídeo Kinetic Lights DMX é uma amostra do que já não se pode perder. 




E embora o horizonte tenha muito mais artifício, a luz vem de trás: afinal, tudo começou quando friccionamos as duas pedrinhas... mas o tempo voa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LEGS + LEXUS > LEAD THE WAY

Aconteceu há menos de um mês na New York Fashion Week o evento que veio revolucionar o conceito de manequins sob uma passarela. Tratou-se de um poderosíssimo espectáculo de video mapping 3D, holográfico, desigual, inovador. A referir [antes foi aqui] a participação de Andrew Thomas Huang, director criativo da LEGS, também na génese desta representação. Um evento maquinal de teatro e dança, onde as personagens habitam um palco ficcional e a realidade perde espaço dando lugar às estruturas projectadas virtualmente. A sucessão de narrativas audiovisuais a par da coreografia tornaram este teatro futurista uma já realidade. De destacar, no papel principal, a brilhante interpretação metamorfósica da modelo canadiana Coco Rocha de 25 anos. 

Além da aclamação que se fez ouvir energicamente no final da actuação, ainda o espectáculo ia a meio e já estava patente o entusiasmo do público, através da quantidade de luzes paralelográmicas acesas nos aparelhos, com recurso a vídeo, que registavam o evento. São os sinais dos novos tempos: o primado da tecnologia, a chegada de um futuro aguardado que paradoxalmente não deixa de surpreender. Na nova era da imagem que se move, cabe à luz conduzir os cordelinhos das marionetas. E estas, passam a ser os elementos que à meia-vida sugerem a recriação de criaturas humanóides numa nova experiência de cor e imagem. 

Lexus Design Disrupted (Full Performance) from LEGS MEDIA

A música ficou a cargo da banda HEALTH. Um colectivo originário de Los Angeles dedicado ao rock experimental, alternativo, com um repertório de músicas cujas letras são, segundo os próprios, «intencionalmente vagas». Neste USA BOYS de 2010, a simbiose de ruídos industriais, agonizantes, com vocais melódicos foi a combinação hábil para evocar a história da personagem feminina central, de aparência frágil, que luta para combater as forças das trevas que vivem dentro de si, de todos os outros seres, e, de toda a matéria. Esta escolha musical, aliada à reprodução de grandes ilusões ópticas: hologramas, sombras movediças, explosões luminosas, bem como todo o trabalho coreográfico a cargo de Ryan Heffington proporcionaram uma espécie de materialização da energia cósmica que foi muito bem ilustrada em palco. Eu sei, William, «all the world's a stage, and all the men and women merely players» mas tudo agora parece bem mais à frente no caminho.

sábado, 10 de agosto de 2013

Let There Be Light

Sentamo-nos no chão do Terreiro do Paço em frente à fachada Norte da Rua Augusta e começamos a viagem no tempo com O Cubo. O espectáculo de Video Mapping 3D começou ontem e vai continuar.  A nossa História aparece ampliada sob a forma de um mural virtual. Imagens carregadas de movimento. Viriato em luta contra os Romanos, a batalha de Aljubarota, o terramoto de 1755, a náu que promete levar-nos à India, os grandes incêndios e o Marquês de Pombal de regresso para reerguer a cidade. 


Tudo isto ao vivo à distância de poucos passos. E o público aplaude. As noites estão quentes mas muito menos escuras. Todos os motivos são bons para colorir Lisboa mas, especialmente, esta semana: Fiat Lux.

sábado, 27 de julho de 2013

Mais Amor Por Favor

Foi no Intendente que Ceci Soloaga e Ygor Marotta vieram, esta semana, comunicar o Amor através da luz: juntos actuam como VJ Suave.  

Esta dupla brasileira, especialista na new media art (graffiti digital e projecção em movimento) prepara curtas-metragens animadas, performances ao vivo sobre obstáculos verticais e outras instalações mais ambiciosas em 3D com recurso a meios próprios, os “suaveciclos”, que podem ser tricicletas com computadores acoplados e projectores seguros com fitas de velcro sustentados por baterias, ou, outros veículos, melhor apetrechados com projectores de capacidade superior para trabalhos que abrangem mais público. 


via vjsuave.com

A receita é bastante simples: tudo começa pela pintura de uma aguarela em papel branco, que é digitalizada e enviada para um programa de edição de imagem; depois, invertem-se as cores e, rapidamente, seleccionam-se pequenos “quadros” (frames) que se sucedem para servirem de pano de fundo. Sem muito trabalho, criam-se texturas orgânicas das manchas adaptadas cujas cores se vão modificando por meio digital. Em seguida, através de edição de vídeo inserem-se as imagens em sequência, podendo adicionar-se outras figuras animadas que podem ser bastante simples, e induzir-lhes efeitos pré-existentes numa gama de milhares de possibilidades. A novidade é o jogo que se desenha à mão e transforma em luz: há uma história que as imagens conseguem contar.


Mas a dupla paulista não se fica por aqui. Com recurso a um iPad e à aplicação Tagtool, ensinam que podemos criar animações, através de pinturas que os dedos fazem no ecrã táctil e, se juntarmos a tudo isto um projector suficientemente capaz, podemos substituir a parede da sala pelos edifícios transformando-os em telas gigantes de rua. Esta é a street art em movimento. Instantaneamente, cor e forma somadas em luz podem invadir o espaço urbano. As ruas ganham vida e reconhecemos a nova era do graffiti digital. Nada suja a envolvente mas, pelo contrário, durante algumas horas, tudo se transforma em fantasia. E se recorrermos às instalações móveis, é a duração da bateria que dita o tempo do espectáculo. 


Da parede para a rua apenas aumenta a escala e o cenário de prédios, candeeiros, transeuntes, passa a ser um espaço de fundo surpreendido e renovado que evidencia a criação espontânea da imagem em movimento. O público assiste e recolhe do palco das ruas e de forma activa o melhor destes trabalhos quando a realidade emerge da animação e se funde com o exterior. Mas estes artistas de arte em movimento, não se limitam apenas a animar espaços públicos porquanto pretendem ainda passar uma importante mensagem. Além das criaturas desenhadas à mão que correm, nadam, dançam, pulam de nuvem em nuvem, sobem escadas animadas e se transformam em personagens de estórias que invadem fachadas de edifícios, árvores, comboios e tudo o que esteja presente à distância dos focos de luz: existem também letras animadas e do nada crescem poemas que lemos e retemos porque nos fazem reflectir. 



A intenção de comunicação é totalmente conseguida e, por algumas horas, o espaço fica mais vivo: há corações suaves que nos transformam a rua mas a verdadeira revolução acontece dentro de nós.

via vjsuave.com
PS: + Amor P.F.