quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Lujon

 

Quando uma manhã me disseste quem eu era
Porque sonhava com dias de sol e rio e riso,
Porque somente a vida cheia, e cada dia que passa, são isso.
Compreendi as razões de sermos feitos de matérias diferentes
que não se misturam, e que na verdade se distanciam 
no tempo certo.

E eu, refleti com a lua em círculo naqueles dias,
No equilíbrio dos meus sentidos, com o auge de tudo em tudo
Na impaciência de esperar sem ver a noite ser noite
olhando dentro do escuro a magia de um céu despido de cores
no qual só eu reparo.

Então, seguro a caneta na mão, sabendo quem eu sou
Sentido o silêncio azul das águas de verão e a alcova do mar
antecipando-se, como se antevê uma paixão a chegar
ocupando todo o espaço da desordem num outro lugar
e, deixando-me levar, não paro. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O Labirinto da Saudade

 


Lugar de origem. E éramos para sempre uma forma breve de ser. Na urgência do movimento. Coisas a que nem poderíamos assistir. Porque o tempo passava depressa. Levando essas palavras nos lábios. Arriscando tudo. Sem olhar para trás. E valia muito a pena querer mais. Acrescentar. Mesmo que de forma fugaz. Depois, recomeçar. 


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

9 Crimes

 

It's a small crime. Acontece. Há um eterno despertar de tudo. O amor é um embate, uma súbita vertigem. Não cuidas e ausenta-se. Restando pouca luz na margem do mistério. E uma vida normal, regular sem pressa na respiração. Uma forma aveludada de textura mas muito familiar, tanto que já despojada de amor. E assim acordas. Sabendo que não renovas os mesmos sonhos felizes. Morres 9 vezes para nascer a seguir. E, com esperança, contas outra e outra vez.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Story of My Life


Flutuo. Diria novamente. Lembrava-me da Anaïs Nin e da Lana del Rey. Lembrava-te delas. Ou lembrava-me eu de ti. Hoje é feríado. E, a esta hora, não podemos andar lá fora. Tenho vontade de começar a escrever como se amanhã também fosse feríado e eu aqui com as palavras. Eu aqui, mais comigo. Na engrenagem de me deixar levar apenas o punho. Arrancar como mulher que escreve, sem outros deveres no mundo. Written in these walls are the stories that I can't explain.

domingo, 29 de novembro de 2020

Jerusalema

 


África. Corpos que se entrelaçam com a música, como amantes. Ondula, continente quente, aí debaixo. Remexe em alegria. A dança levando os passos a darem passos. É tudo transformação. Aquilo. O oráculo a dizer com certeza: «Abre o coração, que o mundo inteiro está a ver». E é tudo beleza. Esperança. E o planeta é o chão de todos os lugares, de todos os passos de dança. Ngilondoloze. (Salve-me.) 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Eu Não Sei Quem Te Perdeu


2007 ou 8. A vida num momento em gestos nunca iguais. Tu, bem próximo da minha pele. Bonecos de porcelana, bem frágeis éramos. As comportas da música, dos livros. As compotas de hoje nas pinturas abstratas. O doce equilíbrio, o primado. Pensar na palavra: poltrona. Trono. E em rainhas que ceifam os sonhos dos outros. Em mim, a correspondência dos teus músculos. Outra forma de amor nesse caminho de tantos anos. E eu não sei quem te perdeu.