domingo, 12 de setembro de 2021

Procura Por Mim

 


O céu a aparecer azul era tudo. Era suficiente. Tirando claro todos os outros prazeres do contentamento: o prazer de escrever, de pintar, e de contemplar o primeiro. Olhar o amor. Em alma e em corpo. Isto, antes do azul e antes do céu. Então, era mentira o esplendor do céu, da manhã. A magia do recomeço sem o brilho do intercâmbio não tinha as mesmas cores. Era como se já não fosse verão.

sábado, 21 de agosto de 2021

Alane

 


Alane. Palavra confortável à qual não encontro definição. Assim, sem a definir, sinto-a. Palavra que faz mexer o corpo. Na expectativa de agitá-lo e enlaçar a alma. Coisa curiosa a necessidade do homem se ligar a si mesmo antes de se vincular a um outro. Como se reagrupar-se primeiro fosse a condição mais honesta. Unindo-se até ficar inteiro em si para depois se entregar num intercâmbio de amor, ou de comunicação, ou mesmo de intenção de ser melhor agrupado ao outro do que a sós. E só então deixar-se colar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Earth Odyssey

 


Mais um confinamento. Resta-nos dançar e talvez seguir a NASA no instagram. Isso e viver mais interiormente. Agarrar a infância na guita do horizonte. As ideias que me vêm, Deus. E que nunca me chegam. Na alma conjunta, a que já não reconhece o mundo atual, o planeta-casa. Deitados, devemos ser breves. Leves. Luz. Devemos ser luz. E claro, contraste. Porque aquilo que precisamos na vida, vem de repente. Não esperas e de repente: Relâmpagos.

domingo, 21 de março de 2021

Makambo


Tão de repente. Essa euforia. Ou dizer isto ao contrário. Com voz própria. Em dia de poesia. De Primavera. Nesse detalhe deixando tudo mais belo. Na beleza de somente não ter defeitos. A noite será tão pequenina quanto o dia. Não há tempo para contar estrelas. Tudo passa, tudo corre. Hoje choveu e o sol veio depois. Que venha sempre esse azul que acompanha o sol. E que haja sempre quem peça. 

I've been asking for peace
But all I got was war
I've been looking for love
But I didn't find togetherness

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Upside Down

 

José Luis Borges estava certo quando disse: “No se puede contemplar sin pasión“. Portanto, eu, contemplo apaixonada a vida. Não há outra forma para encarar tudo isto. E olhar deve ser uma sucessão de pausas, de espanto, para se desvendar novamente um outro lado. Fevereiro, esta noite, em metamorfose, abrir-se-á em Março, de encontro à luz. Para arrancarmos borboletas das árvores e de dentro de nós. De maneira que, ainda neste Domingo, decidi escrever-te. Dizer-te que deste lado da terra, mais ao centro, o dia se acende quente. Há um punhado de Sol num lugar particular, como num poema. Há um vulcão invertido, uma cratera em chamas, um incêndio rasgando esse círculo no canto superior. Temos de aproximar o ouro dos olhos, brilho sobre brilho. E levantar a cabeça ao alto. Assistir a esse fogo. Por outras palavras, aproveitar a bola incandescente que principia continuamente no céu. E então, dizer-te sobre as tardes em que, aqui ao longe, uma nuvem cai inteira de cima. Dizer-te do cheiro africano, da terra vermelha. Primeiro húmida, depois muito seca – com esse chapéu inacessível que lês para ti; uma sombra circunflexa, fruto da tua atenção às minhas palavras. Antecipando uma espécie de esperança, porque mesmo que chova, tudo fica mais sério depois. E agora temos dias diferentes. Olho as águias em Kampala e a amplidão das suas vistas. E mesmo à distância, reconheço outros sentidos que fizeste em mim. E, por falar nesse ardor, já te falei na dispersão da grafite em brasa? Era assim sempre que te lia. Lembrei-me das paisagens de Salamanca. De nos perdermos com a tonalidade amarela das flores. Como se a terra inteira em grãos tivesse ali desabrochado, num silêncio luminoso, levemente interrompido pelo vento, e algum carro veloz a passar na auto-estrada. Eramos eu, tu, e o abismo do prado. A nudez das flores, magnética a espelhar o céu, deixando tudo tão claro, como agora, para virarmos o mundo ao contrário.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Minina di Céu

 

Escuta só. Hoje é mais di cedo. Eu vivi meu sonho. É para conquistar céu. Dou-te o corpo dançante. Assistes, de longe, em atenção. Contigo, não consigo só andar. O mundo depende de quem nos segura a anca. E foi assim, desde do dia um, de pé na carruagem. Espero que me voltes a tomar a cintura com as mãos. Espero ainda a renovação dos teus olhos ao Sol. É tempo di conquistar céu.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

You Don't Understand It

Era sobre o ouro do outro dia. Duas vezes mais natural e três mais largo do que a vida. Porque brilhávamos. Ou eras tu, daquela maneira tão tua, que me iluminava também. Fazendo-me rainha. Uma iluminação sem sombras. Radiosa e preciosa de espíritos livres. Já tinha escrito sobre a outra canção mas fui dar a esta. Agora é agora. I just run away from you. Há sempre caminhos impossíveis para correr atrás. 

sábado, 23 de janeiro de 2021

The Sorrowful Wife

 

Um acesso súbito de ficar onde estamos. Justamente a esta distância. Aquilo que não se compõe de palavras, a ficar por dizer. E tanto tanto que não se transforma em palavras. Um futuro inteiro de palavras minhas que não se misturam com palavras tuas. Palavras de parte nenhuma. Loucas mortas antes de nascer. E eu nunca minto. Dizias: The warer com érre em inglês americano e eu só ouvia o teclado. Ele também dizia: The water is high on the beckoning river/ I made her a promise I could not deliver, abrindo caminhos invadidos de segredos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Spirit Bird

 

Em certa medida, há uma revolução pontualmente no espírito de todos. Só não sabemos a hora. Uma razão que pode ser um coração ou uma falta. A evidência da vida nos momentos de amor. Uma história que é passado e presente. Os rostos olhando tudo das paredes. Uma leitura de dedos, no rosto, nos olhos, na alma. Fendas que se abrem na terra, gritos que chegam pelas ondas. Os pássaros e as tribos cantam. O resto, os nomes, poderão ser esquecidos. And slowly it fades.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

The Song of the Golden Dragon


Com espada de ouro, de fogo, tocava. Aqui é uma noite mais acesa, a sombra tem fumo e aroma de incenso. Esvai-se lentamente o fumo, ondeando, até ao desaparecimento. O dragão sobrevoando, soltando chamas. Pedaços da tarde caem atrás. O vento incolor não passa. Ninguém fala nem canta. E sob esse silêncio, uma guitarra há muito arde.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

The Sunshine Underground

 

The Sunshine Underground. Uma espécie de pêndulo. Noite pendente subterrânea. E embalando-nos. Sobre a mesa, uma vela ao contrário. Vermelha. Depois, o corpo destro para a esquerda. E levo pendurado um fio. Outro corpo que sai do lugar. Vagaroso. Um, dois, sob o soalho ardente. A velocidade aumenta no frio. Com sangue de todas as cores. E não consigo parar de tremer. O tempo lentíssimo. A bicicleta, com a campainha a avisar quem se atravessa. Porém, ninguém. O rum líquido a esconder-me as chaves de casa. E parece que dançamos. 

(Escrito sobre o 28 de Dezembro mas num outro dia)

sábado, 19 de dezembro de 2020

Saturdays (Again)


Um Sábado como os outros. E descaradamente diferente. Não há regresso de onde ainda não fomos. A camisa um pouco fora das calças, imaginando que corrias. O gato é de lá, do lugar das estórias das crianças. Talvez um pequeno sinal em crescimento. E, outra vez Sábado. Com a névoa no horizonte, uma certa volúpia de mistério sob o rio. Por ser Inverno não tem necessariamente de ser frio.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Lujon

 

Quando uma manhã me disseste quem eu era
Porque sonhava com dias de sol e rio e riso,
Porque somente a vida cheia, e cada dia que passa, são isso.
Compreendi as razões de sermos feitos de matérias diferentes
que não se misturam, e que na verdade se distanciam 
no tempo certo.

E eu, refleti com a lua em círculo naqueles dias,
No equilíbrio dos meus sentidos, com o auge de tudo em tudo
Na impaciência de esperar sem ver a noite ser noite
olhando dentro do escuro a magia de um céu despido de cores
no qual só eu reparo.

Então, seguro a caneta na mão, sabendo quem eu sou
Sentido o silêncio azul das águas de verão e a alcova do mar
antecipando-se, como se antevê uma paixão a chegar
ocupando todo o espaço da desordem num outro lugar
e, deixando-me levar, não paro. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O Labirinto da Saudade

 


Lugar de origem. E éramos para sempre uma forma breve de ser. Na urgência do movimento. Coisas a que nem poderíamos assistir. Porque o tempo passava depressa. Levando essas palavras nos lábios. Arriscando tudo. Sem olhar para trás. E valia muito a pena querer mais. Acrescentar. Mesmo que de forma fugaz. Depois, recomeçar. 


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

9 Crimes

 

It's a small crime. Acontece. Há um eterno despertar de tudo. O amor é um embate, uma súbita vertigem. Não cuidas e ausenta-se. Restando pouca luz na margem do mistério. E uma vida normal, regular sem pressa na respiração. Uma forma aveludada de textura mas muito familiar, tanto que já despojada de amor. E assim acordas. Sabendo que não renovas os mesmos sonhos felizes. Morres 9 vezes para nascer a seguir. E, com esperança, contas outra e outra vez.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Story of My Life


Flutuo. Diria novamente. Lembrava-me da Anaïs Nin e da Lana del Rey. Lembrava-te delas. Ou lembrava-me eu de ti. Hoje é feríado. E, a esta hora, não podemos andar lá fora. Tenho vontade de começar a escrever como se amanhã também fosse feríado e eu aqui com as palavras. Eu aqui, mais comigo. Na engrenagem de me deixar levar apenas o punho. Arrancar como mulher que escreve, sem outros deveres no mundo. Written in these walls are the stories that I can't explain.

domingo, 29 de novembro de 2020

Jerusalema

 


África. Corpos que se entrelaçam com a música, como amantes. Ondula, continente quente, aí debaixo. Remexe em alegria. A dança levando os passos a darem passos. É tudo transformação. Aquilo. O oráculo a dizer com certeza: «Abre o coração, que o mundo inteiro está a ver». E é tudo beleza. Esperança. E o planeta é o chão de todos os lugares, de todos os passos de dança. Ngilondoloze. (Salve-me.) 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Eu Não Sei Quem Te Perdeu


2007 ou 8. A vida num momento em gestos nunca iguais. Tu, bem próximo da minha pele. Bonecos de porcelana, bem frágeis éramos. As comportas da música, dos livros. As compotas de hoje nas pinturas abstratas. O doce equilíbrio, o primado. Pensar na palavra: poltrona. Trono. E em rainhas que ceifam os sonhos dos outros. Em mim, a correspondência dos teus músculos. Outra forma de amor nesse caminho de tantos anos. E eu não sei quem te perdeu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Lonely Planet

 


E não podes mudar o mundo. O mundo que está mais vazio sem o Q. Ontem ainda o tinha, mas depois mudou o dia. Aonde vais, com os teus ossos? Já não ias. Era o erro das contas da idade. E não podes mudar o mundo. Nem passar a vida à procura da vida. A Amália vivia de vida perdida. Outros cantam outro destino. E de repente mudam o seu olhar sobre tudo. O planeta mantém-se sozinho. And if you can´t change yourself, then change your world.


sábado, 19 de setembro de 2020

Memórias de Amor

 


Só o tempo faz mudar. E temos memórias (de amor) do caminho. De sermos lá e de estarmos aqui. Páginas que não ficam na nossa memória como se escrevem. Eu dobrava os lençóis sozinha. O texto nada disso traz escrito. Nem da delícia de te sobrepor ao espaço. O deleite do vinho, o carinho. Era uma afinada voz a cantar ao teu lado e uma agradável voz a chamar-me afinada. E dava vontade de subir o rio e não parar mais. Porque a mesma música corre-te. Agora levares-me um beijo. Que eu dou. Por mais algum tempo, tanto, pouco. E levavas-me.