Então, como lobos, corremos. Em terreno seguro que pisamos já. A minha cabeça segura nos ombros, com mãos que seguram também seus sonhos. Mãos com palmas que se agarram. Palmas e dedos que falam. Assim. Parece que um espírito rearranjado, novo. Parece que canais abertos, libertos, recém-criados, por um mestre que passou. E, em mim, minhas moléculas: embriões que avistam um futuro novo. E os olhos dos lobos, ganhámo-los. E corremos com eles.
sábado, 20 de janeiro de 2018
domingo, 7 de janeiro de 2018
Come Meh Way
Um violino. Um som de R&B polido, que não se parece com nenhum outro. A fotografia do videoclipe, com sombras e a saturação das tonalidades nas imagens. A cor de África. Os mercados. O calor na pele dos africanos. A alegria submersa na forma de dançarem. A leveza dos cabelos entrançados. Há músicas como esta, que se ouvem muitas e muitas vezes com a mesma vontade prazerosa das primeiras notas de apresentação.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Light of My Life
Tão feliz, a esta hora. A luz da lua, da vida. A iluminação das coisas. A sua luminosidade. Parece a mesma coisa: luz. Não é. Não acredito em tudo, mas agarro. Deixo vir. Parece que esta claridade não permite sombras. Tudo límpido, como em azul as águas da piscina. Essas águas prontas para mim amanhã cedo, depois as águas do Tejo para atravessar e, durante a tarde, o Sado. Estes dias, estende-se em quilómetros, a luz da minha vida.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
Flight From The City
Então o novo ano nasceu. Desta vez, estive menos nervosa naqueles instantes em que se contam as passas e nos preparamos para sentir, exactamente no mesmo sítio, aquela passagem de um ano para o outro que os calendários ditam. Aquele momento mínimo, que vai decrescendo até ser último e se torna, simultaneamente, o primeiro, em que mudamos do velho para o novo. Mas podia ser tudo realmente o mesmo não fosse o fogo de artifício e o telefone a enviar mensagens. É bom estarmos juntos. Sentir a energia dos outros à procura da nossa. É bom receber. E é muito bom dar. A lista dos 12 desejos escrita com a pen do Note. Temos de ser práticos e simplificar. Tenho andado bastante tranquila a assumir a minha vida. Faço exactamente como decido fazer. Sou dona desta vida. Algo que me dá prazer. E os meus pensamentos voam. São sonhos-balão que seguro de cordel na mão para não me fugirem. E a cidade, esta cidade que se estende da janela até ao Tejo tem as cores de Lisboa. Esta cidade ainda é Lisboa.
domingo, 31 de dezembro de 2017
Amar pelos Dois
Bonito é isto. Antes que 2017 termine. Estava a pensar que os anos são como os alvéolos das colmeias, vão-se repetindo, doces, alinhados, perseguindo-se, uns após os outros. Foi um ano bom, cumprido, muito cheio. Um ano que me deu orgulho. Um ano de decisões fortes. E percebi que o estar muito tempo longe do nosso país nos faz querer vivê-lo mais. Eu que estou sempre pronta para encher as minhas malas. Mas ainda é cedo. Agora está 2018 a chegar e é preciso recebê-lo e abraçá-lo bem. Algo que posso fazer pelos dois.
domingo, 24 de dezembro de 2017
Talking With Strangers
Véspera de Natal. Chego aqui, encosto-me ao que penso e escrevo. Sente-se o alvoroço das cozinhas. A ansiedade das famílias. Sorrisos que se antecipam. Agora, as luzinhas estáticas da árvore. O bolo-rei ou rainha ainda embalados; o queijo da serra; os frutos secos. Os embrulhos de surpresas em espera até depois de jantar. Tudo isto são as cores de Natal. E está aquele frio bom, sem chuva. Cá dentro está cozy, o melhor ambiente para falar com estranhos.
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