sábado, 27 de agosto de 2016

I Won't Complain

A decisão que se imprime nas letras das canções. I Won't Complain. Um sem-sentido desejo que se deixa mortificar. E ninguém sabe. Os passeios são aleatórios entre a praia e o campo. O destino será sempre entre aeroportos. Mas muito poucos conhecerão o caminho até à Antártida. Por lá, não sei de que lado o sol bate. Prefiro a sombra de uma cadeira sentada na outra, sobre a terra. Prefiro as folhas abrigando-se do vento. Porque aquela luz que não tem brilho de luz, é gelo. Mesmo assim continua tudo muito maravilhoso.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

One Day (Epic)

A distância a esse dia, enquanto o planeta se perde em expectativas. Aquela enorme folha em branco. Talvez escreva, depois. A arte é aquela senhora por quem nos interessamos desde pequeninos, ou simplesmente ignoramos. Eu cada vez me rendo mais às coisas com pouca base matemática e cientifica. Mesmo que seja um muro coberto de tinta preta. Alguém se lembrou e fez. A arte vem e fica, para ser engolida pelos sentidos. Eu tacteio a música com os olhos, sugo a pintura, abraço a fotografia. Ouvir ouço os sons do meu silêncio, ouço o meu pensamento, e ouço tudo aquilo que amo, muito repetidamente. 


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

La Ritournelle

A incrível verdade. Sua força de espelho. Onde eu sou eu. E sei que tudo tudo tudo é como é. Acabaram os Jogos no Rio. Manter-se-ão as correrias e os saltos, pelo menos, até ao final do Verão e, pelo mais, naquelas terras do planeta onde o Verão soa como não ter fim. Por cá, não queria despir já este sol português que ainda se me veste a pele. Queria ficar assim 'castanhinha' (como tu dizes) mas é sempre a mesma história (ou como os franceses dizem: "c'est toujours la même ritournelle") e, por mais voltas que se dê, retornaremos sempre ao estado inicial. 


'Oh nothing's gonna change my love for you
I wanna spend my life with you
So we make love on the grass under the moon
No one can tell, damned if I do
Forever journeys on golden avenues
I drift in your eyes since I love you
I got that beat in my veins for only rule
Love is to share, mine is for you'

domingo, 21 de agosto de 2016

The Crystal Cat

Quando ouço esta malha com 9 anos, fico a pensar que isto do tempo é uma enorme invenção. Algo puramente humano. E isto de se cronometrar as coisas da vida, as gerações e as modas tem um amplo sentido estranho, que se torna ainda mais bizarro se somarmos ao tempo o eixo do espaço. Esta música encaixaria bem em Tokyo na turma dos 20's ou 30's num qualquer tempo dentro deste milénio. A letra não se faz ouvir pois está meia engolida nos pixels bem saturados desta batida "I'm gonna get my bathing suit on/ Gonna get my base face on" e, por falar nisso, vivemos numa época em que se continuam a ditar e a rever leis todos os dias: o burkini tornou-se agora proibido em França. Na Alemanha prevê-se que a burka venha a ser proibida nos espaços públicos. Somos todos diferentes de acordo com o lugar do mundo e com os conceitos que trazemos desde que nascemos. Sometimes (esta é outro exemplo intemporal - de '91 imagine-se... e já aqui falei 'em tempos') parece que algo passou mas na sua acepção o tempo jamais se movimenta. Afinal, quem caminha somos sempre nós; pelo menos abanámo-nos se quisermos. E a música electrónica resulta bem para quem gosta de dançar, como aqueles gatos chineses que acenam o braço para nos enviarem sorte.   


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Thinking About You

Tenho-me lembrado de um homem que lia um livro de música no metro de Paris. Mas o que ele lia eram mesmo as pautas. Ouvir a música no silêncio daquela maneira é mais ou menos igual a ver as cores do mundo através dos dedos sob o relevo do braille. Para esta comparação das coisas os franceses utilizam a palavra Pareille. Por outro lado, são felizes acasos de quem anda por aí, na rua, à espreita de viver coisas novas, irrepetíveis. Espero nunca mais me esquecer da forma como ele entoava a própria mão, em jeito de maestrino, enquanto folheava as pautas. Não tive presença suficiente para o fotografar com profundidade de campo capaz de resultar em algo que agora pudesse titular de fotografia; aquela imagem foi tirada com a coragem que me faltou, por isso não resultou com boa qualidade. O fotógrafo tal como o poeta, é também um grande fingidor:  talvez porque não lhes caber mais nada na sua essência repleta de vida, os melhores momentos de todos, aqueles que nos trazem água aos olhos, ficam quase sempre por registar. 


sábado, 23 de julho de 2016

Wide Open

Parece fugir o bom senso quando se fica demasiado aberto. Permeável à mudança, a tudo. Principalmente ao novo. Já passaram 10 anos sobre tantas coisas. Fico embalada nas fotos antigas a pensar nas viagens que se seguirão. Porque eu sei que está por vir é grande, tão grande quanto o que eu quiser. Podemos pensar com medo, ou pensar nas coisas como se a vida nos embalasse enquanto nos sentimos a transformar, e talvez isto seja crescer. Berceuse é quando confiamos que amanhã acordaremos ainda mais fortes.