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quinta-feira, 14 de março de 2019

Bilingual

Me, I am wondering around. 
The notes on the house walls

We talked about that sound
That I take to do it all
Maybe you do too
.

.

.

.

.
.

.

Era uma flor 
Como todas as flores
Em bicos dos pés na terra
Só que aquela 
não era igual
A mais nenhuma










M.
Kowait, 29 Agosto 2018

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Long Time

IV

I wanted to make a poem and so I did
You, with your eyes, were the poem
that was being written on me.

I don't know by what arm, by what hand
or by what hug you came to me
But you were as one's say...
Immense.

You, within my thinking
you were a song-poem,
geometric that could be heard.

I don't know which game we were playing
but I think that in the middle of a play
of balls and bottles
We end up on the ground.

And, soon after
You, with all your care
You would make butterflies
being pulled out of my belly.

Suddenly, you were  everything
in my gaze. And I leafed through
the stories you came to tell.
The poems you always were.


PT

Queria fazer um poema e fiz
Tu, com os teus olhos, eras o poema
que se escrevia em mim.

Não sei por que braço porque mão
porque abraço me vieste
Mas eras como quem diz...
Imenso.

Tu, dentro do meu pensamento,
Eras um poema-canção,
Geométrico que se conseguia ouvir.

Não sei que jogo jogavas
Acho que numa brincadeira
de bolas e garrafas
Fomos parar ao chão.

E logo a seguir
Tu, com todo o cuidado
Fazias borboletas
Na cartola do meu ventre.

Tu, de repente, eras tudo
no meu olhar. E eu folheava
As histórias que vinhas contar.
Os poemas que eras sempre.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Angel By The Wings

Esta semana, os incêndios continuaram a calar as serras. Calar, porque o vento não pára para falar com árvores sem folhas. Nem as folhas se desprendem em danças com o fogo. O Outono parece deixar de ser Outono. Agora em cinzas, depois do fumo que nos mudou a cor do céu até aqui. A Natureza ocupa-se em levar as cinzas para dentro da terra ou para dentro do mar. Mas um fogo até pode ser bonito: 

se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha – não te assustes
são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te
diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo – diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos

e adormece sem lágrimas – com eles no chão

E pedes aos anjos para murmurarem essa última canção. Depois, talvez alguém a enviar-nos a chuva. Ou os teus antepassados a pedirem a Deus essa chuva. Ou eu, com a força toda do mundo, sem acreditar em Deus, acreditando em mim. Ou tu. Porque seja o que for que venha, podes pensar que o tempo resiste sempre ao vento e tu, enquanto estiveres acordado, sabes que nunca haverá uma última canção. Look up, call to the sky/ Oh, look up and don't ask why, oh/ Just take an angel by the wings/ Beg her now for anything/ Beg her now for one more day/ Take an angel by the wings/ Time to tell her everything/ Ask her for the strength to stay./ You can do anything. Então pelas árvores que ainda temos, pelas folhas que esperam o vento passar, e, enquanto a chuva cair, devemos continuar a dançar.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Thunder

No outro fim-de-semana, terminei a sétima temporada do Game of Thrones. Isto, a propósito de dragões imaginários e de domingos frios, mas falando de tempestades penso que o mundo pode descansar pois o Irma já passou. É tudo passageiro: Byron disse sobre as tempestades que (se repararmos bem) elas, como as emoções, começam em bonança «Tranquilos o céu e a terra - mas não adormecidos,/ Porém sem ânimo, como nós quando apaixonados,/ E tão silenciosos como se acordássemos de profundos pensamentos» e a mudança vem depois. 


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Visões Ficções

Ouço Dead Combo
as guitarras tocam
e há uma voz,  
embalando, 
para começar
em jeito de lullaby,
a abraçar a gente.
E eu
deixada em terra firme
com o mar em frente
vejo a passagem dos corpos
náufragos.

E ao 
escrever este texto-poema
percebo que 
todos os meus textos são poemas
e não há parágrafos 
nos meus textos-canção.

Ouço esta música
como uma nova condição,
não escrevo, 
sinto,
porque as pinturas na água 
são como corridas de corpos loucos
como ficção de cinema.
Da janela de casa
vai o ruído do mundo a passar,
e, na interpretação,
há sempre uma pena de ave
a cair na minha mão.

E ao 
escrever este texto-poema
percebo que 
todos os meus textos são poemas
e não há senão a verdade
nos meus textos-canção.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

O Sentido do Tempo, V

A natureza da luz. 
Quando a madrugada vem. 
Como quem acha na rua. 
Algo que pertenceu a alguém.
Esculturas de sombra. 
Na linha da praia, do mar.

Não pensaria no que perguntar.
À terra. À vida. Naquele momento
Estavamos os dois. Naquele lugar.
Podia parar o nosso vento. Ficar.
Naquele momento eramos só nós.

E nessa altura de franqueza
Falavamos do que estava por vir.
A minha família sabia de tudo.
E alguma coisa parecia explodir
Se quisessemos já viver o futuro.

O espaço cheio de minúsculos espaços.
As gentes entre milhares de passos e abraços.
Mas meu presente lúcido é uma paragem.
Onde espero, espero, e não vem ninguém.
Escolhi esperar por ti que és uma miragem.

Agora tornou-se real a minha condição.
A luz da tarde é cinzento-baça.
Estou a sós comigo. Neste novo lugar.
Ãmanhã é um outro dia, outra vez.
Não pensaria no que perguntar.
À noite. À vida. Neste momento.

Mas afinal a que horas o sol se levanta?
Para que parte do mundo, olhar?
Trocadilhos. Rabiscos. Desenhos.
Reticências. Um ponto final.
E, no entanto, quatro pontos.
Se calhar, a minha bússula.


Cherbourg, 17 de abril de 2017 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Retrograde

Suddenly, I see. Pode existir cor em tudo. Nas sombras, no branco da parede, no azul minguante do dia. Na tua pele a brilhar junto da minha. Sempre. Sempre. Como eu vejo. Lembro-me de me dizerem que podemos repetir as palavras nos poemas, dando-lhes mais cor. Ai se fosse o Mário Cesariny a citar-me agora. Que sentido para estas palavras. A mesma cor mas muito mais forte. Voltar atrás para refazer. Pois sempre tão fácil a repetição. Como a música electrónica. Tão fácil, parece ser, quando feita por génios. 


You're on your own
In a world you've grown
Few more years to go,
Don't let the hurdle fall
So be the girl you loved,
Be the girl you loved

I'll wait
So show me why you're strong
Ignore everybody else,
We're alone now
I'll wait
So show me why you're strong
Ignore everybody else,
We're alone now

Suddenly, I'm hit
It's the starkness of the dawn
And your friends are gone
And your friends won't come
So show me where you fit
So show me where you fit

I'll wait
So show me why you're strong
Ignore everybody else,
We're alone now (we're alone now)
(we're alone now)
I'll wait (we're alone now)
(We're alone now)
(We're alone now)
I'll wait (we're alone now)
(we're alone now)
(we're alone now)
(we're alone now)
(we're alone now)

Suddenly, I'm hit
It's the starkness of the dawn
And your friends are gone
And your friends won't come
So show me where you fit
So show me where you fit

domingo, 8 de janeiro de 2017

Metamorphosis One

A primeira metamorfose. Duas borboletas fora do casulo que, com nossas asinhas novas, pousaramos longe. Agora lembrei-me de Vinícius de Moraes porque adoro o poema infantil "As Borboletas". E agora da Adriana a cantá-lo. Nesta maneira querida de entoar as palavras que os brasileiros têm para aquecer um coração. Podiamos ter recomeçado assim a voar baixinho, perto do mesmo candeeiro, mas eu e tu tinhamos de fazer diferente. Da próxima vez, renascerei numa canção que apanhes e faças tua, na playlist, na coluna de som azul, e na alma.


sábado, 26 de novembro de 2016

O Sentido do Tempo, IV

Ainda sobre o tempo, o sentido de tudo
Eu disse-te que seria uma oração
Sem deuses, porque todos são deuses

Se soubessemos as respostas rápidas
Do mundo, não precisariamos de céus
Se soubessemos, não seriamos 

Como um alarme ou uma canção, 
E entre nós, correriam estrelas, 
Correriam luas, e o vento devagar

Mas eu não sei por onde andar
Porque eu não sei para onde olhar
Só onde tu estiveres, haverá magia 

Ainda sobre o tempo, e as horas
Foi um movimento que eu não queria
Fugir dali, e andar por qualquer lado

Mas agora, como viver deste longe daqui
Há um postigo para partilhar loucuras
Lembrar a bravura e perseverança
Com saudade da criança que vive em ti.


Cherbourg, 26 de novembro de 2016

quinta-feira, 26 de março de 2015

Takk...

Houve um pensamento infuso. 
Que atrevimento da morte: levar-te... 
Passam agora quase quatro dias. 
Aposto que os animais, 
a natureza inteira ainda em arrepio. 
Depois, 
o pensamento seguinte: 
querer profundamente que voltes ao mundo. 
Epifania-desastre-incêndio-milagre. 
Porque tudo é transitório. 
Cada sentido de uma beleza irrepetível. 
Palavras fora do texto. 
Linhas exaltantes de transparência. 
E tu sabes que a morte não te encerra. 

Sob a tua pena, tudo marfim e sangue e pele e cabelos muito lavados com o cheiro doce das crianças. 

Agarrarei para sempre o teu génio-milagre. Eu e tantas outras mãos, tantos outros braços. Expectantes, em tronos de troncos, loucos, dedo a dedo imaginando que possas fundir-te a um Sol qualquer. Indestrutível num esplendor conjunto de fogo, de folhas, de risos, de iluminações negras e brancas. E possas mover depois a Terra de uma outra maneira. Tu já és certas cores do céu. Certos teoremas muito exactos onde se desenham os limites das nuvens. Certos fotões. Certos balões que sobem e deixamos de ver, no lugar de onde te debruçarias. Ou qualquer outra coisa absolutamente diferente. Absolutamente por inventar. E então estarás por ali. Sentado do tamanho de um número mais pequeno, sobrelevado, exponencialmente na minha recorrência. Alucinações, falangetas e falanginhas de reacção, inspiração. De cima do teu palco encerrado, de dentro do teu silêncio, tanto espectáculo, tanto ruído, tanto poema. Uma incompreensão sentida nos poros, exactamente como se sente o amor, mas ainda com mais gramática. Uma linguagem de séptimos sentidos. Tu és a púrpura. Uma membrana de seda, de asa. Uma rosa no fundo da cabeça. Abelha-rainha ou uma coisa muito mais masculina. Tu és muitas muitas janelas. Presentes que se carregam na mala. Memórias, com palavras de impossível tradução, letras, a tua, sem pontos finais; em perfeita simetria: HH


sábado, 24 de janeiro de 2015

Shuggie

A baby boy name used mostly in the Scottish language and of Germanic origin. That's news to me. You have to keep digging so the language stays alive and rich... «Look: I was wondering in which part do you die, to have a flower and cross with it through light and ardent voices and naked crimes. There is a silence in the islands to unsettle the dust, and your face turns slowly filled with fever to the side of a terrible and cold song.» 


| Pt |

Um nome de bebé especialmente usado na língua escocesa, de origem germânica. Isso é novidade para mim. Temos que procurar continuamente para que a língua permaneca viva e rica...

"Olha: eu queria saber em que parte
se morre, para ter uma flor e com ela
atravessar vozes leves e ardentes e crimes
sem roupa. Existe nas ilhas um silêncio para
a poeira tremer, e o teu rosto se voltar lentamente cheio
de febre para o lado de uma canção
terrível e fria."

sábado, 22 de novembro de 2014

O Sentido do Tempo, III

De outras vezes 
Poderia - com alguma hesitação
Supor o que os outros suporiam.

Porque todos nós,

Em outras tantas vezes, gostaríamos
De achar que a vida vem à frente.

De achar que as agendas da vida

Ditam fora do presente.
E de achar que existe um tempo
Reservado à vontade que se sente.

Então, acontece, quase sempre,

Pensarmos que o melhor está por vir
Para nós e toda toda a gente.

Pensarmos que há um tempo por cumprir 

E que um raio de sol mais directo 
Um raio de sol que vem, por certo,
Fechar-nos ainda mais o olhar
É uma espécie de sinal que vai chegar.

Mas é nesta cegueira que vivemos 

Porque este tempo é concreto
E continuamos a aguardar 
Pelo que agora temos e nem vemos,
Nestas tantas tantas vezes,
Que escolhemos adiar.

É todo este tempo que perdemos, 

E nisto, tudo prestes a mudar.

Lisboa, 22 de novembro de 2014

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O Sentido do Tempo, II

Inquieta-me o vento a soprar.
São formas de sorrir diferentes:
eu com medo e tu despido.

Inquieta-me o tempo por vir.
Mas não sei diminuir paisagens
só para simplificar a história.

Gosto de personagens
e do reconhecimento
das mesmas ordens e padrões,
dos tecidos vistos por dentro.

Tenho tempo para não pensar
na inteligência desenhada do mar,
ou na sorte da areia, contradições
de cartas que marcam os livros.

E isto era como se jogassemos.
E era se a vida em dados e fados
connosco dentro dela.

Posso somente neste momento
beijar-te o coração e seguir,
como uma paixão estendida
e mais roupa deixada a secar.

Há dias em que deveríamos ser
crianças cheias de sol, incríveis
vestidas de cores-aguarela,
com tamanhos impossíveis.

Tenho letras para palavras,
palavras para canções ideais.
Instrumentos na minha janela
para tocar, adiar, arriscar. 

E isto era se pudessemos brincar.
Como se a vida toda em risos
connosco dentro dela.

Lisboa, 12 de outubro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Think Twice

Close your eyes. Today, a day of Spaces Around in Casa Fernando Pessoa. Some things call for us. Then, we sat down and we are really at home. Feeling that we could take to dinner that people whose faces meet us for the first time. I do not know why this is like that. To feel at home in the house of others. And to see strangers as if they were friends. The reason must be poetry and the same interests, that invisible line connecting people. To think twice is in other cases. When we decided on a path, we fail to recognize each other. Abandon to move on. Sometimes it seems that if we simply do not know where to go. Close your eyes. Do not ask Alice's cat. Close your eyes and see with your heart, without compromising anyone.


| Pt |

Fechar os olhos. Hoje foi dia de Espaços em Volta na Casa Fernando Pessoa. Certas coisas chamam por nós. Depois, sentamo-nos e estamos realmente em casa. Sensação que podiamos levar a jantar aquelas pessoas cujos rostos se cruzam connosco pela primeira vez. Não sei por que razão é assim. Sentirmo-nos em casa na casa dos outros. E ver estranhos como se fossem amigos. Há-de ser a poesia, e os mesmos interesses aquela linha invisível que interliga as pessoas. Pensar duas vezes é nos outros casos. Quando nos decidimos por um caminho, deixamos de reconhecer o outro. Abandonando para seguir em frente. Às vezes parece que simplesmente se sabe por onde não ir. Fechar os olhos. Não perguntar ao gato da Alice. Fechar os olhos e ver com o coração, sem comprometer ninguém. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Matilde Campilho

Esta publicação só faz sentido em língua portuguesa, onde, por agora, a poeta se lê, seja em Portugal seja do outro lado do oceano, onde cavalga o Jóquei, onde se esgota nas livrarias. E diz o artigo  que «caiu como um meteorito. Algo que escapou aos radares, não previsto pela meteorologia, feito de uma matéria desconhecida, vindo de um lugar não-identificável, ainda a arder.» Eu não concordo, para mim previa-se que fosse assim. Eu disse ainda em Novembro como ia ser assim. Este blogue é dedicado à música, porém, a poesia também ondula as palavras. Música e poema são de uma génese prima, é o mesmo sangue que arde, quando nos toca. E como toca. Era Novembro quando apresentei a Matilde aqui, e no final do ano partilhei um video-poema dela que gostava que fosse de toda a gente, e em Abril foi outro. Partilhar é isto. Explicar como aquilo que somos, por vezes, resulta muito bem em outros. Ler a Matilde dá-me vontade de pegar em caderninhos outra vez, distribuí-los nas malas, nas mochilas e nos bolsos. Recolher ideias e depois juntá-las em poema. Isto não é sonhar, é fazer acontecer. Posso fazer fotografias e fazer poemas porque é a fazer coisas que nos entendemos. Ainda posso escolher uma música se, como ela, os decidir ler em voz alta. Esta publicação só faz sentido em língua portuguesa, e o título é aquela música dela, que é também nossa sempre que ela se lê. 



terça-feira, 10 de junho de 2014

Snow (Hey Oh)

«In between the cover of another perfect wonder
Where it's so white as snow
Running through the field
Where all my tracks will be concealed
And there's nowhere to go

I said hey hey yeah, oh yeahhhhhh»
What a privilege. Everything is clear as snow when you realize that the place to go is here. Exactly as the way it was meant to be. 

Cunningham Interview @ Theater Aan Het Spui, Den Haag

sexta-feira, 25 de abril de 2014

The Awakening Of A Woman

Good thing to write in English is that the effort to write poetic prose fades. The reason is I do not have the full capacity to evaluate the quality of my writing when I write in another language. On the other hand, I have much more to say in Portuguese, and always in the broadest and most creative sense. The composition is more pure, the notes are released more naturally. Energy is lost in translation. I need literature in English, reading great novels to improve my performance. In the meantime, I've been listening to the new poem of Matilde Campilho and felt exactly this feeling. That is good. Too good to miss. And I miss writing in my language. It's my way of freedom.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Vida Não Chega

Uma certeza de esperança com um cheirinho a café. Uma reflexão sobre alguém que se tem e muito se quis. 
Uma forma de evocar recordações, com saudade e fé. Uma maneira de espargir o sentido de ser e estar feliz. 
Uma voz muito viva que sabe falar do amor e de amar. Uma confissão de violinos entre um piano e essa espera.
Uma história como tantas que ninguém soube contar. Uma vontade muito grande de cantar que a vida não chega

domingo, 29 de dezembro de 2013

Conversa de Fim de Tarde Depois de Três Anos no Exílio



eis 
o novo 
vídeo-poema
/publicado ontem\
 da Matilde Campilho
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

The Fall

Ontem fui a Monserrate. Primeiro, parei no centro de Sintra para tirar fotografias. Depois, atravessei as estradas até lá acima. Aquelas estradas estreitas de alcatrão, cheias de curvas para nos pormos a pensar se virá alguém de frente. Essas mesmas, cheias de «ésses». Ao mesmo tempo, muito largas de tudo: magia, beleza, e, principalmente, da atenção do meu sorriso. Fui cedo. No balanço apressado do carro porque eu gosto de não chegar atrasada. E não chego. Eu até gosto de esperar nessas alturas. Ocupar-me a pensar em ti. Quando já vou a passo tenho a atenção inteira para desembrulhar por ti.

Foi isso que aconteceu porque na entrada não me deixaram descer com o carro. Fui a pé até ao Monte da Lua. A seguir às escadinhas vi, naquela hora, o Palácio em frente. Tão no mesmo lugar como da última vez. Apenas com uma luz ligeiramente diferente. Ainda com mais romantismo. Numa investida de frio de final de ano, ou apenas de final de dia. Depois tive de continuar para o lado. Curioso, o monte lá em baixo. Num lugar de vale, um pouco mais para a direita.

Parque de Monserrate
(c/Panasonic DMC-G5)
Ontem fui a Monserrate e não te vi. Mas estavas em todo o lado. Na sombra. Nas folhas. No restolhar conjunto. Ah! Eu agora parecia ouvir dizer dos Ornatos. Não foi minha intenção. Não vou apagar nem calar-me por fazermos caminhos parecidos. Afinal, a palavra é de toda a gente. E agora, por falar nisso, como eu queria ter-te ouvido ontem. Nas pedras ao lado das que eu calquei. Embora eu nunca me sinta sozinha. Não sei se te diga que ontem não era Verão. Nunca é Inverno depois de te imaginar comigo, nem mesmo em Dezembro. Na verdade, ainda é Outono e ainda há folhas por cair. Can you tell me the difference between Autumn and Fall? Se calhar não é importante. Como tantas tantas outras coisas que não têm importância nenhuma. Não vale a pena andarmos às cabeçadas por causa da distância. Falta tão pouco para te ver pelos olhos. Para te tocar. Para te lembrar de tudo. Outra vez tudo. 

Ontem fui a Monserrate. O parque tão grande, tão cheio de ti. A Natureza abraçava-te. Com aqueles ramos todos. Corredores que me deixavam passar. Junto às figuras de tronco que pareciam explodir. Rebentar de tão bonitas. Deu para ver o barulho do tanto que pensei em ti. De achar tudo perfeito. Podia ser plasticina verde pendendo dos galhos. Não seria menos verdade. Hoje os teus postais a chegarem. Eu a ler as tuas saudades de mim. E os passarinhos do parque ontem já sabiam de tudo. Tenho a certeza.