Mostrar mensagens com a etiqueta Noiserv. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Noiserv. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O Labirinto da Saudade

 


Lugar de origem. E éramos para sempre uma forma breve de ser. Na urgência do movimento. Coisas a que nem poderíamos assistir. Porque o tempo passava depressa. Levando essas palavras nos lábios. Arriscando tudo. Sem olhar para trás. E valia muito a pena querer mais. Acrescentar. Mesmo que de forma fugaz. Depois, recomeçar. 


domingo, 1 de outubro de 2017

Wanna Be Basquiat

Esta artista portuguesa faz-me lembrar o David Santos dos Noiserv por ser autónoma na elaboração do seu próprio som e vocals. Embora, ela seja um caso de multi-instrumentos mais digital, mais pós-rock, mais noise. Há pessoas que me levam a outras mas somos todos únicos apesar de haver seres verdadeiramente geniais. E dito isto, aqui Débora queria ser Basquiat. Outro talento incomum para as artes (que para ele foram várias) do grafite ao neo-expressionismo com uma passagem menos conhecida na música, porém uma parte crucial da sua pintura


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

47 Seconds Are Enough If You Only Have One Thing To Do

Os ambientes aquecidos recebem-nos sempre bem. O ano a terminar. Não há muito para dizer que não haja já sido dito, a seu tempo, a seu ritmo, a seu cabimento. Mas a altura de nos abraçarmos abrilhanta-se com o vermelho do Natal. Ainda não é hora de voltar as costas a 2013, mas sim de olhá-lo profundamente. Pensar em todas as boas decisões mesmo que possam ter parecido más. Já que nunca nada é escrito em preto e branco, nunca nada é resumido a palavras consabidas e a palavras caras: por que cada nota faz o seu lugar na musicalidade da língua e nas pautas que o tempo contém. E às cores do meu ano vejo-as tornarem-se mais quentes, mais ricas de palavras, mais fortes de aromas. Cada vez mais minhas. Está a ser um Inverno-cachemira, que parece embalar as estações seguintes. Minuto a minuto. Quarenta e sete segundos e mais treze sem sombra nenhuma.


I don't think it's my time.
I don't think it's your time.
Just turn around and take me
and take me
and take me
and take me.
I don't think it's my time.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

I Was Trying to Sleep When Everyone Woke Up

O tempo passa e este rapaz continua a brincar aos instrumentos. Há quem prefira não levar a vida muito a sério porque a ela (à vida) tanto lhe faz como a vestimos todos os dias. O homem-orquestra (como lhe chamam) é David Santos, mais um engenheiro que derivou para as artes. E ninguém diga que o seu trabalho não é sério, porque neste caso é só a vida que se mantém animada. E este "só" é vasto. O seu projecto intitula-se Noiserv. Dentro da mesma sonoridade só me ocorrem as CocoRosie (de quem já falei aqui), por causa dos brinquedos que escolhem reunir ao improvisar a sua música, e as Amiina devido aos xilofones. Saiu há dias o novo disco "Almost Visible Orchestra" e I Was Trying to Sleep When Everyone Woke Up não surpreende nem destoa. Talvez por esta faixa falar sobre amizade, David fez-se acompanhar por um coro de amigos que convidou para cantar: Rita Redshoes, Luísa Sobral, Francisca Cortesão (Minta), Luís Nunes (Walter Benjamin), Afonso Cabral e Salvador Menezes (You Can't Win, Charlie Brown), entre outros. Uma década passou e algo mudou. Os instrumentos continuam a ser muitos mas Noiserv já não está tão solitário. Neste recreio disciplinado ninguém quer apagar a luz. Estes momentos de talento merecem atenção. Apetece ficar a ouvir. Aumentar o volume. Puxar o móbile. Encher a parede de luzes e pendurar sombras no tecto. Ver as bolinhas a passar. Empurrar o comboio na pista. Abrir a caixinha e fazer companhia à pequena bailarina que gira em cima do espelho. Dançar. Tenho a certeza que a noite há-de esticar-se provavelmente até de manhã. Se eu conjugar o verbo ouvir, acredito potencialmente num efeito contágio: «You should fell like us.» Eu bem sei que é tarde mas também eu tentava dormir quando toda a gente acordou.

terça-feira, 23 de julho de 2013

U t t e r

Foi em 2006 que um grupo de amigos bracarenses se juntou. Influenciados pelos Sigúr Rós, U2, Radiohead, entre outros, chamaram ao seu projecto Utter, termo que traduzido significa “completo, absoluto, inteiro, infinito” porque aspiravam ao canónico, ao elevado e ao total. As letras são em Inglês e é nesta língua que definem a música que fazem: “Our music is always inspired by the universe, by the places where we’ve been (...) by listening to our music, we want people to be carried away to an imaginary place where everything's controlled through the natural equilibrium of the universe”.

via Facebook página oficial dos Utter

Foram finalistas do Festival Termómetro em 2011, e, nesse mesmo ano, editam o álbum “Empty Space”, cujo nome porventura poderia ter surgido em género singular da canção de título quase semelhante (ou não estivesse no plural) do álbum “The Wall” de 1979 dos Pink Floyd. E apesar do título, com os Utter nenhum espaço é deixado vazio.

November 1st abre as cortinas do álbum para uma paisagem atmosférica e instrumental. Entramos no espírito. Segue-se The Same Thing, os instrumentos são complementados com uma letra que (não encontrei disponível e) me parece ser esta:

Who Am I to teach you
If you keep me warm
But who am I to tell you
We are losing time
But who am I, and who am I, to rest you
We will be just fine
There ain’t no one to save you
We must go

But who are them to change you
We can always run away
And you just have to trust me
It won't be better if you stay
But who am I, and who am I, to rest you
We will be just fine
Would you trust me back? It's your time to go 
Would you trust me back? It's your time to go 
It’s time to go
If you leave me out here I'll be cool

Do you see?
Do you see?
If you open your eyes I’ll be there.

A estética musical dos Utter é um agregado de coerência electrónica onde a guitarra estende caminhos que a voz de João Pedro Botelho percorre. Não há obstáculos. Nada parece estar a mais. Nesta faixa, por momentos quase sem instrumentos - não fora uma mão dedilhar as cordas da guitarra -, o tom vocal eleva-se mas, a harmonia nunca é descontinuada interpelando-se, logo a seguir, a primeira corrente musical. A versão acústica ilustra a competência da banda:


Into the Light carrega algumas influências dos Sigur Rós. Old Guitar é uma promessa de liberdade, uma projecção de futuro dedilhada nas cordas da guitarra. The Walking Dead é talvez a faixa mais pop, o videoclip oficial foi gravado na Crácia (em Zagreb) e entregue de presente aos Utter. Volta a sensação de experimentalismo em Empty Space. You Draw A Line Between contou com a colaboração dos Noiserv. Em So Beautiful, fala-se de sonho. O som é expansivo. A letra inspiradora. Podemos deitar-nos num campo e olhar o céu transportando-nos dali. Primeiro através do teclado, como um colchão confortável. Depois o movimento acontece. O coração bate depressa. Apetece deixar-nos ir. Intuimos uma paisagem geométrica que nos embala e vagueamos deitados ao sabor da vibração das cordas friccionadas. O que ouvimos condiz com este vídeo (não oficial) que foi editado por um fã e que os Utter já divulgaram na sua página.


Aguarda-se novo disco para o início de 2014 mas, desde o Verão passado, João Botelho e o guitarrista Galiano dividem-se entre este projecto e o Colibri que, no último ano, os tem mantido ocupados. Resta saber qual dos projectos voará mais alto, se o beija-flor a cantar em português, ou, se este que é inteiro, completo e totalmente (utter) em inglês, ainda que o principal e comum aos dois seja universal: afinal, tudo isto é música.