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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Meeting Again


Nomes. Sombras. O osso para o movimento. E às vezes, detidos como pedras nos rios, enquanto eles correm. Às vezes, os olhos no fundo sem verem o mar. No fundo das águas, bem fundo no tempo. Os olhos, na porção de caminho que os leva. Nomes. Figuras. Mas, por dentro, a matéria do poema. Almas em delírio, mais fortes do que nós. Almas que gritam, mais alto do que nós. Senti dentro do silêncio. Sorri sem que os teus olhos vissem. São corpos estranhos que me confundem. Sem mãos que me assistissem. Sem vozes, cem vezes, me anuncio. Sem corpos, onde somos mais nós.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

On Reflection

Era isto que eu dizia. Os estorninhos em bando como cardumes pretos, correndo a mudar de direcção. Mas em vez da água... o ar. Aquele meu terreno para lançar o pensamento. O espírito primeiro em alturas a chamar o corpo para me transportar para um outro lado. E era isto que eu dizia que era mágico. A massa dos passarinhos vivos num movimento compacto. Milhares a decidirem por um. Porque se isto não é Deus... então... eu não sei mais nada. O brilho do céu sublima. My gaze as above, as I can be. Que lugar de glória, de anunciação, de movimento... Tremendo. Mas que não podemos tocar. 


This is what I was saying. Starlings in flocks like black shoals, running to change direction. But instead of the water... the air. My ground to launch the thought. The spirit first at heights to summon the body. This, to transport me to another place. And this is what I said was magical. The mass of live birds in a compact movement. Thousands deciding as one. Because if this isn't God... then... I don't know anything else. The glow of the sky sublimates. My gaze as above, as I can be. What a place of glory, annunciation, movement... Overwhelming. Although we can not touch.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Needless to Say

"The writing process is really a process of uncovering or discovery. The image of the sculpture removing the negative object and revealing the sculpture..."
Max Richter

Running out of love. Os céus de Setembro ligeiramente desbotados. São nuvens. Mais nuvens. Esta música foi escrita num comboio. Não se sabe a razão, mas os comboios são bons lugares para se escreverem canções. Seguimos o caminho num sentido único. Não se pode voltar atrás e as imagens vão passando. À meia-tarde, pensava no nome do álbum: How music fils our Silence. Não é preciso dizer.


sábado, 29 de abril de 2017

Written On The Sky

Do álbum: as notas azuis. Acordes celestiais. Seriam menos de 2 minutos. E, por isso, o tempo entretido, pequeno. Parece um mergulho sem pretensões de apeneia. Se fosse eu, viria acima de um fôlego, recuperar a minha natureza. Porque eu nem sou do céu, nem da água, sou terra. E, apenas avisto o que se escreve lá em cima nessas notas azuis que de noite cintilam sem cor.  


sábado, 18 de fevereiro de 2017

On the Nature of Daylight

Eramos sempre mais vivos nas fotografias antes de as tirarmos. Esta ideia boa de querer olhar para trás e ver as cores como eram lá atrás. E outras coisas vão também mudando. Os carros já não têm chave. As ruas já não sabem os seus próprios nomes. Os loucos não sabem os seus nomes próprios. Faltava-me um afia-lápis na mesa, para aperfeiçoar as letras manuscritas. E uma borracha. Mas as coisas verdadeiras vão-se endireitando sozinhas. A natureza da luz do dia impera em todas as madrugadas. Ou então serei eu, sempre eu, debaixo da nossa tenda a sorrir.



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Ba-de Da-de

Um exemplo ainda melhor. Para nos deixarmos tocar ou desligarmos. É isto o gostar. Querer, não querer. Haver ou não sintonia. A meu ver, são os estados de alma que se comunicam, que se entendem, que se desejam. Há que ter a mesma febre de quem nos compreende, verdadeiramente. O que importa é a cumplicidade e o bem-estar. E algum egoísmo recíproco. Voltando aos estados de alma... Assim de repente, haveria para partilhar a tristeza e a alegria; e é isso que leva as pessoas a casar. Apenas na ficção a dor é uma coisa mesmo muito bela. Cá fora não é bonito assim sem partilhar. Não há ninguém para saber o que estou a pensar, o que quero comer, e quando sinto saudades de alguém. 


Ni Su Nave

A banda sonora do Disconnect trouxe-me aqui. Então eu vim. Porque há coisas que vale a pena perseguir. E há homens que nascem para iluminar os filmes, transformando-os. Sem música as coisas não teriam jamais a mesma dimensão. Uma escada para podermos contemplar o resto, acima, o tanto que existe para lá do que conseguimos ver. Acho que só descobrimos quem somos através da música. E quem queremos a nosso lado através da mesma música. Porque somos muito mais em alma do que em corpo. 


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Luminous

Thinking about intuition and the sixth sense, I remembered this song and the movie where I met this song. I remembered the magnanimous pleasure that precedes things that we foresee as almost, almost, perfect. Even knowing they will turn into something else although that’s not the most important part. Present is what counts. There are words that we read, and even just by reading, those words, enter us through life unevenly. A kind of twilight-argument of books designed to each one of us. Publishers domiciled in the tails of comets, and then you never know when it will drop some stardust. But speaking of heaven, I do not know if I'll catch the red and white rocket to Tintin's land, I do not know if I'll go closer to that Sun without Rio across the sea. Still seems too bright this idea of being able to stay.


| Pt |

A propósito de intuição e sextos sentidos, lembrei-me desta canção e do filme onde conheci esta canção. Lembrei-me do magnânime prazer que antecede as coisas que se antevêem quase, quase, perfeitas. Mesmo sabendo que se revelerão outra coisa qualquer mas isso nem é o mais importante. O presente é que conta. Há palavras que lemos, e mesmo só ao lermos, essas, entram-nos pela vida de maneira desigual. Uma espécie de crepúsculo-argumento dos livros destinados a cada um de nós, de editoras sedeadas nas caudas dos cometas, e depois nunca se sabe quando nos vai cair alguma da poeira estelar. Mas por falar em céu, não sei se vou apanhar o foguetão vermelho e branco para a terra do Tintin, e também não sei se vou para mais perto daquele Sol sem Rio do outro lado do mar. Ainda me parece demasiado luminosa esta ideia de poder ficar.

terça-feira, 22 de julho de 2014

The Golden Age - part II vs. Embers

The Golden Age is over (after Part I) I ask why does time goes by so fast, and everything in a rush. I wonder if I should, or don't. I wonder if I miss, or don't. Life must be made by silver, draw near to the meadows of clear water. Then the sun lands on our shoulders and we go with the current. River water is sweet as the best times we keep inside. Maybe I should, maybe I lack even the part that I have to leave behind. And how to load the embers of what is not yet arrived to live? Now, other coordinates and it seems that the past returned. Today I bought a big travel bag of turquoise color to remind me that all the rivers run into the sea, and that there the sky is bluer because the sea is so huge that the ball of the sun seems to extend from here.



| Pt |

A idade do ouro acabou (depois da Parte I). Pergunto porque passa tão depressa o tempo, e tão depressa tudo. Pergunto se devo, se não devo. Pergunto se me falta, se não falta. A vida há-de ser feita de prata, abeirando-se de prados de água clara. Depois, o sol pousa-nos nos ombros e vamos passando a corrente. A água dos rios é doce como os momentos melhores que guardamos por dentro. Se calhar devo, se calhar falta-me ainda a parte que terei de deixar para trás. E como carregar as cinzas do que não se chegou a viver? Agora, outras coordenadas e parece que o passado voltou. Hoje comprei uma mala grande de cor turquesa para me lembrar que os rios correm todos para o mar e que lá o céu é mais azul porque o mar é tão grande que a bola do Sol parece estender-se desde daqui.

terça-feira, 18 de junho de 2013

B a l m o r h e a

Não é muito provável uma pequena cidade do Texas intitular uma banda de rock, não fossem os seus membros originários da vizinha Austin, à distância de seis horas de território americano. A banda foi formada em 2006 por Rob Lowe e Michael Muller e no final de 2012 contabilizavam 5 álbuns originais e mais 4 elementos. Detentores de influências várias, sobretudo reminescências da folk a par do magistral estilo clássico, revelam-se na calha de nomes tão díspares como Max Richter, John Cage, Morrisey, Yann Tiersen, Arvo Pärt, Ludovico Enaudi, Beethoven, entre muitos outros.

via Magnet Magazine

A captação de sons e tentativa de controlo sobre estes é uma investida poética no campo da improvisação estruturada. Intimistas, estes norte-americanos, primam pelo recurso a uma mescla de instrumentos de cordas, desde o banjo ao violoncelo aliando a percussão apenas para garantir a compleição ritmada das construções tocadas. Por vezes, a voz eleva-se à laia de um adicional instrumento novo sem intenções de distração mas como complemento da própria linguagem de colcheias desprovida de narrativa. Existe uma harmonia de partitura,  óptimista e de rara beleza. 

Em 2007 editam o primeiro álbum com o mesmo nome donde se extrai este A Circumnavigation no qual se respira ar de montanha na harmonia das flutuações musicais, com um horizonte de chuva que não abandona o cenário bucólico característico. Uma comunhão onírica onde a natureza para coexistir sem necessidades supérfulas para lá do experimental. Outros elementos podem aguçar as baladas: há bichos notívagos, ou uma máquina de escrever frenética como em In the Romans e, em Baleen Morning, abrimos a janela a um novo dia e desejamos não esgotar os 3 minutos e meio de sol que se sente num magnífico crescendo a consumir-se apenas na última nota. No ano seguinte, lançam "River Arms" mais pontilhado de violinos e teclados onde as baladas surgem mais intempestivas como em The Winter. Existe mais movimento e pode reconhecer-se a passagem de comboios em lugar da natureza, como em Greyish Tapering Ash.

Em 2009, a confiança aumenta e surpreendem com "All Is Wild, All Is Silent" podendo mesmo apanhar desprevenidos aqueles que os julgaram arrumados em prateleiras sujas de pó, pois irrompem com uma efervescência revigorante, distanciando-se do som pastorício originário. Em Harm and Boon reconhece-se que o dueto se expandira o que é notório nas novas proporções experienciadas atingido-se ritmos não antes ousados. Em Remembrance, voltam a revisitar as mesmas paisagens texanas que inspiraram Ry Cooder e Ennio Morricone mas quebram a linha original com o culminar numa frequência mais austera e vibrante em coerência com o sangue novo do álbum.


Em geral, existem mais guitarras a conferir textura e, paradoxalmente, a natureza antevê-se através de chants tribais que, nas mesmas montanhas, fazem redescobrir os Sacred Spirit da década de 90 ainda que em muito baixo tempero. Em November 1, 1832 dá-se um momento magnífico do álbum onde o convidado Jesy Fortino interpreta com concisos vocais a magia intraduzível da faixa.

Se dúvidas havia, em 2010 regressam com "Constellations" para comprovar a sua maturidade no género alternativo e pós-rock. O resultado é brilhante em Bowsprit conservando-se as amplitudes de frequência do albúm anterior mas já sem efeitos surpresa, apesar da heterogenia sonora. E, até um dado momento, são inevitáveis as comparações aos Sigur Rós em Palestrina, mas a autenticidade da banda assume-se fazendo repensar as semelhanças e desviando a pseudo-ligação. Em Night Squall podemos deixar-nos embalar na certeza do regresso. O piano apresenta-se mais apetecível e é recorrente em todo o álbum mas especialmente em The Order of the Night e em Winter Circle onde, apesar da atmosfera melancólica, um coro de vozes soa pouco menos que perfeito. Num disco tão capaz não faltou também um apontamento jazístico (On The Weight of Night) para enaltecer ainda mais o ambiente geral. Em suma: um trabalho difícil de deixar de ouvir. A promessa de 2006 reaparece em 2012 com o álbum "Stranger". Ainda estou a experimentá-lo. Soa mais electrónico mas não se perde da trilha indie/instrumental. Sigo e deixo-vos Pyrakantha para absorção lenta. Há digestões que merecem o seu tempo.