Mostrar mensagens com a etiqueta José González. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José González. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Line of Fire

Surprised, again. So much have been said. So much I hear and can hear. So much to choose. There's a line separating our choices and one same line setting our lives. Line of fire. You have to be careful every day, every second because you can feel the line close. And sometimes we have to stay in our own world. Shielded by our thoughts-intuition. Let things flow, do not walk behind nothing and just run. Stay with ourselves and keep a distance from the firing line and then go. This was it and Cohen's eighty anniversary with Popular Problems release. 


| Pt |

Surpresa, de novo. Tanto que foi dito. Tanto que ouço e posso ouvir. Tanto para escolher. Há uma linha a separar as nossas escolhas e uma mesma linha a traçar as nossas vidas. Uma lInha de fogo. Deves ter cuidado todos os dias, cada segundo porque consegues sentir a linha próxima. E às vezes temos de ficar no nosso mundo próprio. Escudados pelos nossos pensamentos-intuição. Deixar as coisas fluir, não andar atrás de nada que não seja fugir. Ficar connosco, reservar uma distância da linha de fogo e só depois seguir. Era isto e Cohen fazer 80 anos com a edição de Popular Problems.

sábado, 13 de setembro de 2014

Heartbeats

The last straw would be to introduce Christina here, but the song of the day is not this one. The day that is about to begin. At this moment you don't speak about the morning. But the truth is a new day just started. And so I thought to begin with the word «beautiful» but then she whispers «Don't look at me» and I think we should look very well in each other's eyes. And feel very deeply all things in our relation with others. So I prefer to choose the original heartbeats of the Knife, which I hear will finish the project soon. Well... I will have the acoustic version of González (already said it here), that truly won me over. But I was speaking of beats and achievements because I believe that hearts should be beating too hard and every day, and what a days, what a new day.


| Pt |

Só me faltava trazer a Christina aqui ao blogue mas a canção do dia não é esta. O dia que está a prestes a começar. Neste momento ainda não é hora de falar em madrugada. mas na verdade, um novo dia já começou. E por isso eu pensei começar pela palavra «bonita» mas ela diz baixinho: «Don’t look at me» e eu acho que nos devemos olhar muito bem nos olhos uns dos outros. Sentir muito bem as coisas uns na relação com os outros. Assim, prefiro escolher os batimentos cardíacos originais dos Knife, que ouvi dizer vão terminar o projecto em breve. Ficará depois a versão acústica de González, a que verdadeiramente me conquistou (já o disse aqui). Mas eu falava dos batimentos e das conquistas porque eu acredito que os corações devem palpitar com muita força e todos os dias, e que dias, e que novo dia. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Smells Like Fresh Tangerines

Se alguém decide fazer uma “versão” escrita da obra de um escritor isso é plágio ou então, apanhando levemente uma ideia, inventa-se uma nova estória para contar e passam a ser obras distintas. Fazer a versão de um texto cuidando de respeitar os seus direitos autorais cabe apenas às editoras onde compete transformá-lo por fora: mudar-lhe o tipo de letra, aumentar ou reduzi-la, alinhar o texto, alterar o espaçamento entre linhas, todavia, no final, vamos ler exactamente a mesma coisa. Por outro lado, vamos encontrar cenários díspares fruto da leitura, independentemente da estética impressa pelas palavras. Cada estória pode ser uma projecção diferente dependendo da compreensão de quem a lê e de que maneira a sente. Aliás, cada um coloca a sua consciência no lugar dos olhos. Por isso, reinterpretar uma estória para as massas passa por metamorfoseá-la sob a forma de outra arte, pode ser (por exemplo) a sua reprodução em filme. Nesse caso, os cenários são partilhados mas as coisas são distintas porque esquecendo a palavra escrita somos formatados para uma só interpretação – a filmada. E, em geral, baseamo-nos muito no que vemos e a margem para a invenção não é grande. Nem na arquitectura é possível partir do vazio para criar, ficamos condicionados pelas limitações de construção da engenharia e do tempo e, se olharmos da lua, (apetece dizer que) a vida parece estar constantemente balizada pela realidade. Projectar e conceber à risca os espaços sonhados seria como habitar as Cidades Invisíveis do Calvino. Só com os pés assentes no campo da música é possível abanar um limoeiro carregadinho de limões e dele colher tangerinas: na verdade, uma cover consegue muitas vezes, dependendo dos gostos, superar a versão original de uma canção.  


Além desta magnífica interpretação da Tori Amos (antagónica à abordagem de Lana Del Rey para o Heart Shaped Box), eu gosto especialmente de ouvir a versão de Stormbringer do Beck (relativamente à original de John Martyn) e a versão de Heartbeats (The Knife) interpretada pelo sueco José González:



Uma cover é uma indumentária nova à maneira do espírito que a veste. Na passerelle das canções, sempre que a voz muda (e com ela o estilo, os instrumentos, a própria cadência da fonte) são despertados necessariamente novos caminhos que podemos escolher seguir. Uma música pode tornar-se sensualíssima como escolheria (de entre milhares de versões de G. Gershwin) o Summertime vestido pelo trip-hop dos Morcheeba:


Existem inúmeros exemplos de covers que conquistaram lugares do pódio, destronando as versões originais (aqui: Top 10 Cover Songs - watchmojo.com). Nos tempos que correm, estão sempre a surgir novos exemplos que, mesmo não correspondendo a uma predilecção massificada, deleitam os fãs como a versão dos Linkin Park do Rolling In The Deep (Adele), ainda a interpretação de Landslide (Fleetwood Mac) pelo Antony Hegarty (depois da inesquecível versão dos Smashing Pumpkins), e a crítica tem sido generosa com outros, cujas carreiras estão a começar, como é o caso da Birdy depois do seu Skinny Love (Bon Iver) ou o fôlego novo do Wicked Game (Chris Isaak) pela voz da Beck Wood (Coves). Há ainda quem tenha a proeza de tornar quase irreconhecível o original como os Punch Brothers fizeram neste amagicado Kid A (Radiohead)mas muitas outras covers primam pela genialidade, como Somebody That I Used to Know (Gotye) dos Walk Off The Earth que, apesar da criatividade, não chega a todos, e o mais engraçado é que ainda se conseguiu fazer mais desta música numa espécie de remistura de várias interpretações (que até inclui a anterior): e esta é a - mais ou menos anónima - cover das covers:



No meio de tanto talento, continuam a cair tangerinas maduras do limoeiro mas já não tenho espaço para todas as etiquetas.