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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Natural

Olhei para ver e encontrei a minha cara no fundo da caneca. Isto foi anteontem porque hoje a minha cara luzia no mar azul. Podia beber de um trago o desenho do copo. Azul. Falou-se do mar morto mas o mar que me espelhava estava vivo, tão vivo, como um recém-nascido. Fresco, acabado de sair da porta que separa as coisas do passado das do futuro. O azul de agora mesmo. Tão presente como é, no máximo, o dia de amanhã. 


domingo, 19 de agosto de 2018

Next to Me

O tema é a água no Koweit. Estava a pensar no desperdício de plástico com tamanha quantidade de água engarrafada que utilizamos para beber. No duche, não. Para utilização doméstica, vem uma água muito quente diretamente de um tanque. Nunca vi a água dentro desse tanque. Imaginei muitas vezes um tanque gigante com água e musgo no fundo mas nunca vi. Será provavelmente qualquer coisa choca. Não há de facto coisas vivas dentro desse tanque que sei que existe, a não ser microorganismos que não queremos que nos venham tocar a pele. E mesmo assim, sem mais nada a não ser a água das garrafas, brindamos todos os dias à vida.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Thunder

No outro fim-de-semana, terminei a sétima temporada do Game of Thrones. Isto, a propósito de dragões imaginários e de domingos frios, mas falando de tempestades penso que o mundo pode descansar pois o Irma já passou. É tudo passageiro: Byron disse sobre as tempestades que (se repararmos bem) elas, como as emoções, começam em bonança «Tranquilos o céu e a terra - mas não adormecidos,/ Porém sem ânimo, como nós quando apaixonados,/ E tão silenciosos como se acordássemos de profundos pensamentos» e a mudança vem depois.