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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Black Fly

Nobody said it was easy. E parece uma cover do Trans Fatty Acid dos Lamb (aqui na versão remisturada que eu prefiro) mas, não, porque - em Black Fly - a letra começa assim: No one said it would be easy. A orquestração das faixas cada uma contida na sua singularidade. Então vou investigar e encontro isto: Singular female vocalist shooting for the stars. E, às vezes, para uma noite ter estrelas é só preciso fechar os olhos e ouvir. Agora colava o desenho que imaginava já: um padrão de pequenos corações em fundo preto. As estrelas da minha noite, naquele formato, em vermelho vivo e a brilhar.


sábado, 15 de novembro de 2014

Lullaby

Lullaby. Always and Forever will be free/ Always and Forever be with me/ We'll have love aplenty/ We'll have joys outnumbered/ We'll share perfect moments/ You and me. A promise. We call ourselves angels. Like our first name. Hug until the sleep-hug comes. And because of your words and only your words making me shudder in the terror since the beginning. Then, comes the idea of my lullabies to you. Having this thought of putting yourself into a song, yet I'm full of fear to awake suddenly in a different place. And still wanting to hug you.


| Pt |

Canção de embalar. Agora e sempre nós seremos livres/ Agora e sempre fica comigo/ Teremos amor em abundância/ Teremos incontáveis alegrias/ Partiharemos momentos perfeitos/ Tu e eu. Uma promessa. Tratamo-nos por anjos. Como se o primeiro nome assim. Abraçar até o abraço do sono vir. E porque as tuas palavras e apenas as tuas palavras fazendo-me estremecer no terror do início. Depois, vem a ideia de te embalar. Ter este pensamento de te embalar dentro de uma canção, ainda cheia de medo de despertar de repente, num lugar diferente. E mesmo assim querer embalar-te.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

As Satellites Go By

Then and again, the one question that has to do with anxiety. A kind of Saturn' ring ubiquitous. But it is perhaps the last time I think about it. The planets passing beside us and I heard the voice of angels. A voice that soothes. Sometimes several voices appear within just one. A voice that charges nothing. A voice that speaks only in giving, making me have a lot more willing to give back. I always loved the generosity as a personality characteristic. Everything in us is enough. Sometimes too strong. A bubble of privacy. An energy shield. A being made of two.


| Pt |

Volta e meia, aquela pergunta que tem que ver com ansiedade. Uma espécie de anel satúrnico, omnipresente. Mas é talvez a última vez que penso nisto. Os planetas passando-nos ao lado e eu ouvindo a voz dos anjos. Uma voz que apazigua. Às vezes parecem várias vozes dentro de apenas uma. Uma voz que nada cobra. Uma voz que fala apenas em dar, fazendo-me ter muita mais vontade de retribuir. Sempre adorei a generosidade como característica de personalidade. Tudo em nós é suficiente. Às vezes forte demais. Uma bolha de privacidade. Um escudo de energia. Um ser feito de dois.

sábado, 13 de setembro de 2014

Trans Fatty Acid

No one said it would be easy. Start again. I'm not saying it is easy. Life is this thing of making choices. But even the seasons will renew... Strangely, it is not so difficult. The chestnuts, will be marked with white paint that mark on the cork, about those years that were left behind. Maybe the feeling of being a white sheet has a lot more in there than a blanket strafed where we can admire different horizons. You, on your side, can see yours. I, on my side, I'll find mine. For now, I just want to see as far as a foot away.



| Pt |

Ninguém disse que ia ser fácil. Começar de novo. Não digo que seja fácil. A vida é isto de se fazerem escolhas. Mas se até as estações se renovam... Estranhamente, não é tão difícil. Nos castanheiros, vai-se marcando com tinta branca, a marca na cortiça dos anos que ficaram para trás. Se calhar a sensação de ser uma folha branca tem muito mais lá dentro do que uma manta metralhada onde se avistam divergentes horizontes. Tu, do teu lado vês o teu. Eu, do meu lado encontrarei o meu. Para já apenas quero ver até um palmo de distância.  

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Górecki

Few things are more interesting than realizing the contagion effect of arts through time. Especially concerning sensibility for music in its all forms. For example, one song inspired by another with different genders: a classical partiture degenerated into an electronic alternative song. Years gone by and the power of reinventing remains. Creativity is the master key to aim beyond the unachievable.



Górecki is the name of the polish 20th-century composer, that influenced Lamb with Symphony N.º 3 to create this love song. The particular strangeness of the dissonant style of the music made by Andy and Lou, contrasted by the strongness and clarity of its lyrics: «If I should die this very moment/ I wouldn't fear/ For I've never known completeness/ Like being here/ Wrapped in the warmth of you/ Loving every breath of you». One of the greatest songs I know, that was born of a composition based on maternal and brotherly love.  Art and love, closely linked in music. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Claire de Lune

Esta é provavelmente a música mais especial que conheço. Bonita de tão triste, fazendo-se alegre. E não há muito para dizer quando algo afiado nos afaga. Não há muito para dizer quando nos alenta existir no absurdo que é viver de acordo com o que deve ser. Porque sim e porque não. Posso, não posso. E, neste entretanto, vem a vontade de um carinho que magoa não dar. Ou acontece um longo respirar de barriga para baixo que sufoca. Ou, às vezes, até, um querer sufocar para respirar melhor a seguir. Querer de repente (sem consultar a razão) ser de outra matéria diferente. Não há muito para dizer quando o novo se faz doce. Apetece tocar mas não chegamos à lua. É claro como ela (lua) que não lhe podemos chegar. A lua na sua omnipresença a lembrar-nos o respeito das próprias limitações. Não ousei que se impressionasse como eu me impressionei com todos os meus sentidos. E tamanho brilho sem uma letra põe-me sempre a trautear versos que invento para mim.




Esta é provavelmente a música mais bonita que conheço. E os Lamb conseguiram a proeza de remisturar parte dela em Angelica. Juro que podia ter sido eu a pedir-lhes uma versão moderna de Claire de Lune para me regozijar. Será presunção da minha parte falar desta ideia descabida que a mim assenta? Em qualquer caso, a cada lâmina de luz surgida da faixa não quis enxergar vidros partidos. Olhava sem baixar os olhos. Confiante. Era o mesmo brilho da noite, das sombras opacas e do triunfo matinal que antecipamos como certo. Debussy publicou a composição em 1905, e quase um século mais tarde nascia então Angelica, sem voz. E sem se notar essa falta. Coisa própria da singeleza da arte que enche o espaço.


Uma versão que se não quisermos trautear podemos dançar.


Então dançamos. E sorrimos porque o doce se faz novo, na verdade do ciclo. Mas vai ficando escuro esse compasso. A lua cada vez mais clara utiliza em silêncio o tom peremptório com que nos assiste e, de resto, não fica nada por dizer.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

C o l d f i n g e r

Dedofrio? É nestas alturas que dou razão à Manuela Azevedo: em Inglês fica sempre bem. Esta banda, desalinhada do circuito nacional cedo me tocou especialmente. É claro que a voz da Margarida Pinto é suficiente para prender a atenção, no entanto, o facto de o Miguel Carmona ser um ex-Blasted Mechanism, e de terem contado com a colaboração de músicos como os Despe & Siga, Cool Hipnoise, Lisbon City Rockers, Arkham Hi-Fi, entre outros, fá-los originais e competentes nas criações que apresentam. 

Estávamos em 1999, quando apareceram com o “EP 01”. De entre os poucos temas, Shapeless com boa construção instrumental e alguma agitação ritmica fazia lembrar os Lamb num cenário mais límpido com os vocais esticados da Margarida em tom primo a Lou Rhodes - não seria honesto aproximar-lhes um parentesco maior -, havia traços fortes de trip-hop, drum n’ bass e, em termos gerais, encontrávamos também laivos dos Portished.  




Em 2000, Beauty of You do “Lefthand” um tema melódico ilustrado por um video de gosto discutível decorrido entre latrinas, lavatórios e espelhos imundos que nao faz jus à música, reintroduz nos Coldfinger os traços de trip hop num estilo paciente de downbeat. 


Por outro lado, em Para Um Poema quiseram preencher com poesia as linhas melódicas e harmónicas àquele seu ritmo de batidas suficientemente espaçadas retirando de uma máquina eléctronica o Getting Nowhere In a Hurry de Roy Budd para o Vingador, que depois de um molho de décadas só se deixa encontrar no prelúdio da faixa mas confere as devidas semelhanças. 


Dois anos mais tarde, em “Sweet Moods and Interludes” mantinham a linha do projecto electrónico, brindando-nos com Cover Sleeve uma faixa melancólica com piano  e provavelmente não haveria muito desacordo se dissesse que é a mais bonita música produzida pelos Coldfinger. Têm sido, com a simplicidade que conseguem impor, uma força singular no trabalho musical produzido em Portugal: há uma entrega grande porquanto cantam e tocam sentimentos evocando fortemente a saudade e a esperança.



Influenciada por Nina Simone, permanecia sobre a arquitectura instrumental uma Margarida Pinto através de uma voz envolta em sensualidade. Nessa altura, podiamos ouvir os Coldfinger encostados num filme, como em How Could Time. Liga-se um carro, encontramos a maré a subir mas não há mais mistério, os Coldfinger fazem o que sabem fazer, e reconhecemos-lhes com agrado que, apesar do interregno para “Supafacial”, mantiveram a sua linha condutora. 

How Could Time by Coldfinger on Grooveshark

Depois de um interregno, justificado por um “Apontamento” da Margarida Pinto a Solo e totalmente em português, em 2007 “Supafacial” surge numa nova direcção. A eximia voz de Margarida é empurrada para segundo plano e o género abandona o terraço largo do trip hop tornando-se mais pop, mais electrónico e mais dançável, como neste Dragonfly:

Dragonfly by Coldfinger on Grooveshark

Quase década ½ depois de se estrearem, regressam com álbum novo: “The Seconds”. Afinal o que mudou? Tirem-se as dúvidas em You Should Fall. O videoclip animado com a dança da letra, dispersa um pouco a atenção da música mas, essa, mantém-se igualmente dançante. Parece o continuar da linha do novelo de há 7 anos, longe das melodias iniciais da banda que primavam pela originalidade. Agora, apenas encontramos matizes baças de um maquilhado estilo novo. Não fosse a camuflagem da voz e mereceriam, ainda assim, ser louvados. Sem o calor da voz da Margarida a uma distância que se agarre podemos arriscar em bom português que, parece irreversível: o dedo ficou frio. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Fragmentos de tempo que contam histórias sem tempo nenhum

Foi um Bryan quem me levou ao meu primeiro concerto em 91. A esta distância já não nos cumprimentamos mas, naquela época, tenho a certeza que me viu entre a multidão porque passei grande parte do tempo no lugar privilegiado das cavalitas de um tio que não era meu tio. Agora olho para os bilhetes que fui guardando com o passar dos anos e percebo que mudamos com o tempo quando não reconhecemos o que foram os nossos gostos. E estes bilhetes que guardamos escrevem parte de uma história. Olho para eles e encontro o Abrunhosa mas reparo que não guardei o Bandemónio de bilhetes que me passaram pelas mãos nas tantas terras do norte. Sting lembra-me o aniversário da minha irmã e a relva de Alvalade num dia de muito Sol. Um dia em que uma tarde em minutos se fez noite no trânsito de uma Lisboa frenética que me era estranha. Mas conservei três bilhetes da Maria João e do Mário Laginha, entre o Coliseu e o Rivoli e percebo que me tornara mais interessada pela música e pelas pessoas que se juntavam comigo e que conservo ainda hoje. Outras vezes, a vida é uma sucessão de amigos. E eu sempre disposta a chegar primeiro, gostava muito de me sentar à espera antes dos espectáculos, na escadaria do Coliseu, onde nos procurávamos encontrar. Já não mudava tudo com o passar dos anos. Era também fiel ao piano. E foi outro piano que me levou a Famalicão ver o Michael Nyman, anos mais tarde. Ou o Rodrigo Leão em Tavira numa noite ao ar livre com direito ao ensaio, para rever no festival do Silêncio entre poetas, no São Jorge, nesta Lisboa recente que já é casa. Os Ornatos Violeta e, talvez porque o monstro precise de amigos, os Turbojunkie estiveram comigo no Hard Club há muitos anos e houve os The Gift no Rivoli onde comprei o Vinyl longe de imaginar que os iria rever tantas vezes no queimódromo mas com muito menor atenção. Avanço então com mais bilhetes. Alguns foram rasgados no lugar da data.  Vejo isto e sorrio. Não importa: a música não tem cronologia e os concertos são momentos particulares de auge. Então avanço. Os Violent Femmes levaram-me a visitar a minha amiga de infância que estudava em Coimbra. E foi um qualquer espectáculo esgotado que me levou aos Stomp no Coliseu. O barulho que era música e atenção à riqueza reciclada. Quando achamos que sabemos onde devemos ir as surpresas apanham-nos. Os Cinematic Orchestra e o Nitin Sawhney actuaram no Sá da Bandeira depois de filas que se encaracolavam na baixa portuense. E o metro de Lisboa levou-me aos Smashing Pumpkins concretizar um querer muito forte de ali estar. Mas de regresso ao Porto, foi o Ben Harper que vi novamente encher o palco com os Innocent Criminals. E maiores culpados fizeram-me voltar ao Coliseu: os bilhetes dizem d’Os Cult, Massive Attack, Air, Tricky, Bahaus, Lamb e até o Caetano Veloso antes dos Sigur Rós que aclamei de pé entre um público muito atento em tempos de menor euforia com uns islandeses mais tímidos que passados 8 anos voltei a receber no Campo Pequeno. Desta vez tive a minha mão a agarrar outros cinco dedos que fazem parte da minha vida, num dos melhores dias do meu ano. Fui porque tinha de ir: afinal, voltamos sempre àqueles de quem mais gostamos.

Porquanto estes fragmentos são também memórias, guardá-los-ei. Já perdi muitos pelo caminho. Concertos e bilhetes. E as noites de concerto são magia sob muitas formas. A distância antes. Os minutos que são a espera. A espera que são pessoas. Que aguardam. Aguardam. Aguardam. As pessoas que são partilha. Partilha de ali ir. Ir é passar as entradas. Entradas aclamadas que são o palco a encher. Encher os sentidos. Sentidos atentos que são os instrumentos em movimento. E o movimento é a vibração das coisas. Coisas que são a pouca luz do ar. E o ar é fumo. Fumo que é proibido na sala. E a sala é quente. E quente é dentro do espaço. Espaço que fica apertado. Apertado é um coração. Coração concentrado em tudo é alegria. A alegria que é o público. O público que são as pessoas. As pessoas que por um par de horas são família. E a família são sorrisos entre a dança. A dança que é prazer. O prazer que é sair do lugar. O lugar que é ali. Ali que é um lugar sem tempo por algum tempo. Um tempo que é pouco. Um pouco tempo que apetece mais. E venha mais um concerto. Só mais um. Um, de cada vez, para consumir inteiro mas bem devagarinho e, de preferência, com a tua mão a agarrar a minha.