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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Indaco


You carried the word within your soul, your faith. In the suitcase, the clothes, shoes, and books. Memories of red mountains. And, on leaving, those notes like bells: Ring the bell. Who is there? You and me. There is no other way. I have to think first, then exchange a few words. And speak in English. In that less choky style of being in the middle, together.

sábado, 14 de setembro de 2019

Monday


This song, again. From out of space. 55 seconds and the divine sequence. The big maker. The feeling inside the music. The love inside the music. Light, magic, with words without words. Premonition. It was recorded. It was good enough to die for. And 4 minutes later again the order of the order. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Nuvole Bianche

Not precisely in the same compass. But if they asked me I would respond that we were on the same compass. I would respond without hesitation that it was tuned the word to be said. The day, that instant in time. Because there are several things I never had to say on my language, but I shall say in yours. Explosions of many new things everywhere and tuning.


Não precisamente no mesmo compasso. Mas se me perguntassem eu iria responder que estavamos no mesmo compasso. Responderia sem hesitar que era  tuned que se dizia. O dia, o instante no tempo. Porque há várias coisas que nunca precisei de dizer na minha língua, mas  que devo dizer na tua. Explosões de muitas coisas novas em todo o lado e sintonia.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Segunda-feira, àquela hora

"De vez em quando, as folhas sequíssimas carregadas de vento vinham bater-me no pára-brisas. Era uma espécie de comunhão de almas que depois ficava para trás. E principalmente à noite, a derivação vaidosa das coisas moía-me os pensamentos pela impressão abissal em que suspendia a metafísica: e eu envolvia-me naquilo. Quando assistia à substância que o vento era, insinuava-se a obra que se conseguia (sempre por acaso) recuperando as alucinações da vaga experimentação daqueles circuitos em espiral, no sentido que supurava do ranger das portas e se comprometia num entendimento esclarecido, voando majestosamente nas plantas frondosas. Havia, portanto, muito mais do que um movimento que o localizasse, e esses gestos do vento davam-me saudades, porque a aparência de serem tão pouco importantes, tanto quanto pensar-se que a Terra poderia acabar no mesmo instante, consumava assim numa explosão puríssima semelhante a imaginar-se a sua mão humana. Por fim despenhava-se, abalado das folhas crespadas, abandonando-as pousadas nas sombras delas, e eu queria ir para junto de ti. Era tarde para pensar em coisas mais verdadeiras. Limitava-me a compreender que era tarde."

in Os Amores-Perfeitos nas Rotundas das Cidades

terça-feira, 18 de junho de 2013

B a l m o r h e a

Não é muito provável uma pequena cidade do Texas intitular uma banda de rock, não fossem os seus membros originários da vizinha Austin, à distância de seis horas de território americano. A banda foi formada em 2006 por Rob Lowe e Michael Muller e no final de 2012 contabilizavam 5 álbuns originais e mais 4 elementos. Detentores de influências várias, sobretudo reminescências da folk a par do magistral estilo clássico, revelam-se na calha de nomes tão díspares como Max Richter, John Cage, Morrisey, Yann Tiersen, Arvo Pärt, Ludovico Enaudi, Beethoven, entre muitos outros.

via Magnet Magazine

A captação de sons e tentativa de controlo sobre estes é uma investida poética no campo da improvisação estruturada. Intimistas, estes norte-americanos, primam pelo recurso a uma mescla de instrumentos de cordas, desde o banjo ao violoncelo aliando a percussão apenas para garantir a compleição ritmada das construções tocadas. Por vezes, a voz eleva-se à laia de um adicional instrumento novo sem intenções de distração mas como complemento da própria linguagem de colcheias desprovida de narrativa. Existe uma harmonia de partitura,  óptimista e de rara beleza. 

Em 2007 editam o primeiro álbum com o mesmo nome donde se extrai este A Circumnavigation no qual se respira ar de montanha na harmonia das flutuações musicais, com um horizonte de chuva que não abandona o cenário bucólico característico. Uma comunhão onírica onde a natureza para coexistir sem necessidades supérfulas para lá do experimental. Outros elementos podem aguçar as baladas: há bichos notívagos, ou uma máquina de escrever frenética como em In the Romans e, em Baleen Morning, abrimos a janela a um novo dia e desejamos não esgotar os 3 minutos e meio de sol que se sente num magnífico crescendo a consumir-se apenas na última nota. No ano seguinte, lançam "River Arms" mais pontilhado de violinos e teclados onde as baladas surgem mais intempestivas como em The Winter. Existe mais movimento e pode reconhecer-se a passagem de comboios em lugar da natureza, como em Greyish Tapering Ash.

Em 2009, a confiança aumenta e surpreendem com "All Is Wild, All Is Silent" podendo mesmo apanhar desprevenidos aqueles que os julgaram arrumados em prateleiras sujas de pó, pois irrompem com uma efervescência revigorante, distanciando-se do som pastorício originário. Em Harm and Boon reconhece-se que o dueto se expandira o que é notório nas novas proporções experienciadas atingido-se ritmos não antes ousados. Em Remembrance, voltam a revisitar as mesmas paisagens texanas que inspiraram Ry Cooder e Ennio Morricone mas quebram a linha original com o culminar numa frequência mais austera e vibrante em coerência com o sangue novo do álbum.


Em geral, existem mais guitarras a conferir textura e, paradoxalmente, a natureza antevê-se através de chants tribais que, nas mesmas montanhas, fazem redescobrir os Sacred Spirit da década de 90 ainda que em muito baixo tempero. Em November 1, 1832 dá-se um momento magnífico do álbum onde o convidado Jesy Fortino interpreta com concisos vocais a magia intraduzível da faixa.

Se dúvidas havia, em 2010 regressam com "Constellations" para comprovar a sua maturidade no género alternativo e pós-rock. O resultado é brilhante em Bowsprit conservando-se as amplitudes de frequência do albúm anterior mas já sem efeitos surpresa, apesar da heterogenia sonora. E, até um dado momento, são inevitáveis as comparações aos Sigur Rós em Palestrina, mas a autenticidade da banda assume-se fazendo repensar as semelhanças e desviando a pseudo-ligação. Em Night Squall podemos deixar-nos embalar na certeza do regresso. O piano apresenta-se mais apetecível e é recorrente em todo o álbum mas especialmente em The Order of the Night e em Winter Circle onde, apesar da atmosfera melancólica, um coro de vozes soa pouco menos que perfeito. Num disco tão capaz não faltou também um apontamento jazístico (On The Weight of Night) para enaltecer ainda mais o ambiente geral. Em suma: um trabalho difícil de deixar de ouvir. A promessa de 2006 reaparece em 2012 com o álbum "Stranger". Ainda estou a experimentá-lo. Soa mais electrónico mas não se perde da trilha indie/instrumental. Sigo e deixo-vos Pyrakantha para absorção lenta. Há digestões que merecem o seu tempo.