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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Smother

Hoje, para mim, a música mais bonita do mundo. Prestar atenção, senti-la. Saber que o belo dentro do triste é tanto mais belo e tão mais triste quanto o belo se sente triste. Uma loucura a espiral de entrar dentro de uma canção. Um prazer de personagem. E a vida é uma coisa muito maravilhosa. I want all that is not mine. Não me canso da redoma dos meus dias. Fico sem me mexer, obedecendo ao universo, em dispersão entre planetas. Como crianças nas barrigas das mães.  


I’m wasted, losing time
I’m a foolish, fragile spine
I want all that is not mine
I want him but we’re not right

In the darkness I will meet my creators
And they will all agree, that I’m a suffocator

I should go now quietly
For my bones have found a place to lie down and sleep
Where all my layers can become reeds
All my limbs can become trees
All my children can become me
What a mess I leave
To follow

In the darkness I will meet my creators
They will all agree, I’m a suffocator
Suffocator

Oh no
I’m sorry if I smothered you
I sometimes wish I’d stayed inside my mother
Never to come out

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Get Lucky

Who we are. The apples. The spells. The sweet freshness of the new. Love is a discipline of intelligence. A lesson of similarity. If you give, I'll give. Nature is of extreme caution. An exercise in acute accuracy. Should go looking to the sky. Common sense is not cumbersome at all. And I have nothing mechanical. I realized my luck before finishing the year. For this was the time for things to be isolated until Reason as you we please. All my intuition is accurate. Your skin without drawings exactly how I like. Souls of purity, of past, of crazy lives. Our space, our property, good to wear, without time, and no one to call us. It's my apocalypse, my commitment, or whatever it is, for me, the ideal of the senses.



Like the legendary Phoenix
All ends with beginnings
What keeps the planet spinning
The force of love beginning

Oh we come too far
To give up who we are
So let's raise the bar
And our cups to the stars

I'm up all night to the sun
He's up all night to get some
I'm up all night for good fun
He's up all night to get lucky
We're up all night to the sun
We're up all night to get some
We're up all night for good fun
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky

The present has no ribbon
Your gifts keeps on giving
What is this I'm feelin'
If you wanna leave I'm ready, oh
Cause we come too far
To give up who we are
So let's raise the bar
And our cups to the stars

I'm up all night to the sun
He's up all night to get some
I'm up all night for good fun
He's up all night to get lucky
We're up all night to the sun
We're up all night for good fun
We're up all night to get some
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky

Oh we come too far
Oh we come too far
Oh we come too far
Oh we come too far
To give up
Who we are
Who we are

I'm up all night to the sun
I'm up all night to get some
He's up all night for good fun
He's up all night to get lucky
We're up all night to the sun
We're up all night to get some
We're up all night for good fun
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky
We're up all night to get lucky

We're up all night to get lucky

| Pt |

Quem nós somos. As maçãs. As magias. A frescura doce do novo. O Amor é uma disciplina de inteligência. Uma lição de semelhança. Se te deres dar-te-ei também. A Natureza é de um extremo cuidado. Um exercício de aguda exatidão, Convém ir olhando o firmamento. O bom senso nada tem de incómodo. E eu nada tenho de mecânico. Percebi a minha sorte antes de terminar o ano. Para isso houve o Tempo, para que as coisas ficassem individualizadas até que a Razão nos apeteça. Toda a minha intuição é certeira. A tua pele sem desenhos, na verdade é assim mesmo que eu gosto. Pureza de almas, de passados, de vidas malucas. O nosso espaço, a nossa propriedade, bom de vestir, sem horas, sem ninguém para nos chamar. É o meu apocalipse, o meu compromisso, ou, seja o que for, para mim, o ideal dos sentidos. 

domingo, 12 de outubro de 2014

Youth

Changing a lot the subject, youth is something that we can eternalize, isn't it? We are the reckless/ We are the wild youth/ Chasing visions of our futures/ One day we'll reveal the truth/ That one will die before he gets there/ And if you're still bleeding, you're the lucky ones/ 'Cause most of our feelings, they are dead and they are gone. I think that the subject is the same, after all. Just feel like smiling. And I just don't care about the years. Just feel like smiling. I care about concerts, I care about being alive, I care about a lot of different things and you cause it.


| Pt |

Mudando muito de assunto, a juventude é algo que podemos eternizar, não? «Nós somos o imprudente/ Somos a juventude selvagem/ Perseguindo as visões do nosso futuro/ Um dia nós vamos revelar a verdade/ Que se vai morrer antes de se chegar lá/ E se ainda estás a sangrar, és dos sortudos/ Porque a maioria dos nossos sentimentos estão mortos e já se foram» Afinal, o assunto é o mesmo. Só me apetece sorrir. Pouco me importa que os anos passem. Só me apetece sorrir. Importam-me os concertos, importa-me estar viva, e importa-me uma série de outras coisas e tu causaste isso.

domingo, 6 de outubro de 2013

D a u g h t e r

Raízes: 2010, Londres. Folhagens: 2013, Mundo. 

Elena Tonra trabalhava a solo, ou antes, criava a sua música. Filha de mãe italiana e pai irlandês, aos treze anos recebeu um álbum de Jeff Buckley oferecido pelo pai, sentindo esse o momento em que percebeu o que era a música. Desde cedo dedicada à escrita de poemas por se sentir solitária e inadaptada, mais tarde, é por meio da guitarra do irmão mais velho que decide transformá-las em canções, de cariz melancólico, iniciando o seu caminho como cantautora. Faltavam Igor e Remi, mas a banda acabou por se cruzar no Institute of Contemporary Music Performance e o trio conta agora com três anos de percurso. Quando conheceu Igor Haefeli na escola de música, e este se dispôs a tocar guitarra com ela nas actuações ao vivo, percebeu que os estilos se conjugavam e decidiu expandir a sua música. Nessa altura, o que começou por ser uma favor de um colega, rapidamente se tornou numa banda, mais tarde com a entrada do baterista Remi Aguilella. Por ter tido uma boa infância e, apesar da feminilidade intrínseca ao nome, devido a essa reminiscência, surgiu-lhe o nome Daughter, nome que é tido como confortável para os três elementos e já distante do projecto de Elena a solo. 

Depois de dois EP (His Young Heart e The Wild Youthlançados em 2011, sendo Home retirado do segundo [mais electrónico e atmosférico que o anterior] percebe-se que a linha mestra que conduz o grupo se mantém, e esta coerência deriva sobretudo - à semelhança do que acontece com inúmeras outras bandas como Coldplay, Bon Iver, The XX, Cat Power -, do peso que a voz da vocalista imprime na balança trimétrica da banda.




Os Daughter vão actuar em Lisboa, no final de Novembro por ocasião do Vodafone Mexefest para divulgação de If You Leave, álbum de estreia no formato de longa duração. O título relaciona-se com amor e morte, temas presentes em todas as músicas do disco. Trata-se de evocar o medo que nunca se vê, o sentir da própria solidão e a sensação de abandono. Precisamente por ter tido uma infância feliz, aliás retratada nas capas dos EP, sente que necessita continuamente de protecção. Pode ser uma antecipação pessoal de quem escolhe reflectir sobre o depois da vida. Elena considera que quando morrer vai estar sozinha e define como aterrador um estado em que não encontra ninguém. A sensação é a mesma quando antevê a possibilidade de as pessoas lhe morrerem. Gosta de pensar sobre isso e de transportar esse interesse para a música. Esta linha e esta ideia emergem do tema Shallows.



Genericamente, as letras são autobiográficas. Relacionam-se com pensamentos e disposições pessoais. Elena desafia as emoções através da escrita. Serve-se da própria tristeza interior, e é esse seu lado escuro que considera a fonte verdadeiramente inspiradora que transforma em música. O tema Smother representa esse estado de espírito que denota culpa, talvez seja uma vontade de voltar atrás e fazer de modo diferente, ou, no limite não chegar a nascer: «I sometimes wish I'd stayed inside / my mother / never to come out». 



Assumindo com timidez as actuações em palco, é claramente com a voz, que Elena toma de assalto o público e o envolve, mantendo os olhos quase tapados pela franja e normalmente voltados para o chão. Reaproveitado do EP The Wild Youth, o tema Youth é uma amostra-testemunho que justifica a ascensão da banda.


Neste contexto, a canção Amsterdam é a excepção do álbum. O tema é uma espécie de comentário em relação ao comportamento humano. Foi escrita em Janeiro de 2012 numa viagem da banda a essa cidade. Trata-se da observação externa relativamente aos escapes mundanos: os vícios; as fugas; e todas essas maneiras de de alienação a que também se chama vida: «Good night with killing / Our brain cells / Is this called living / Or something else». 


Mas nem só de originais se ocupa esta banda, já reinterpretaram alguns temas de Bon Iver, Hot Chip, e também os Daft Punk tiveram a mesma sorte em Get Lucky. Através das entrevistas, ocasiões essas de maior improviso, percebemos que, embora a manifesta fragilidade e a natureza das emoções envolvidas na música da banda, o lado negro não se exterioriza. À transparência do momento revelam o melhor da sua juventude e da sua alegria. São graciosos, afáveis, e, como se pode comprovar na seguinte introdução desta versão acústica de Medicine, parecem bastante realizados com o que têm andado a fazer. Esta banda está a conquistar o mundo: é uma «filha» com três braços e todos os dias surgem novos pais para a proteger.