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sábado, 4 de outubro de 2014

I Could Have Lied

Can the fear of a lie make us reject the truth? There must be something in the way I feel. In the way I picture you and how you fell. This happens with the cards of solitaire: you never know if the game ends. Then, it shuffles and other cards are out. We can always distort reality. Especially if I'm really awake, and you are very sleepy. Exactly at the same hours. And I'm also very busy thinking too much. You could have lied. But I should also have believed at first, in the dark, because I could have trusted.



| Pt |

Poderá o medo da mentira fazer-nos rejeitar a verdade? Deve haver qualquer coisa na maneira como me sinto. Na maneira como te imagino e como te sinto. Acontece isto com as cartas do solitário: nunca se pode saber se o jogo tem fim. Depois, baralham-se e saem outras. Podemos sempre distorcer a realidade. Principalmente se eu estiver muito desperta, e tu bêbado de sono. Exactamente às mesmas horas. E eu muito ocupada a pensar demasiado. Podias ter-me mentido. Mas eu também devia ter acreditado à primeira, no escuro, porque podia ter confiado. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Snow (Hey Oh)

«In between the cover of another perfect wonder
Where it's so white as snow
Running through the field
Where all my tracks will be concealed
And there's nowhere to go

I said hey hey yeah, oh yeahhhhhh»
What a privilege. Everything is clear as snow when you realize that the place to go is here. Exactly as the way it was meant to be. 

Cunningham Interview @ Theater Aan Het Spui, Den Haag

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Soul to Squeeze

Sempre adorei a palavra «squeeze». Tem mais som do que a maioria. E gosto desta palavra, não pensando no seu significado nem no idioma, somente na fonética. Há ali o efeito arrastado do «é» duplo que parecem três ou quatro siameses. Até poderia ser uma mini palavra encaixada em outra que só contivesse a letra «é». Uma coisa que se não estranharia se fosse dita por animais, embora lhes escapem as consoantes. Como o balido das ovelhas ou algo semelhante ao bufar do gato. «Squeeeeze». Escorrega-se ao dizê-la e a boca (ou mesmo a expressão facial) chega a demorar-se no momento em que o sorriso tem o comprimento e largura certos. Quando digo certos, refiro-me ao ponto em que o sorriso cintila: não se força a crescer, artificioso; nem se reduz, apagando-se. Fica ali no limbo - octingentésimos de segundo: eeeeeeeeeeeeeeee -, entre a emoção e a compreensão. Depois reconheço o sentido da palavra e assalta-me o seu significado. Afinal, não era um animal que a dizia. E não era a tradução que me apetecia ouvir. Porque faz-me pensar em pescoços, cordões, no cinto, depois em laranjas e em limões, mas nunca em almas. Não querendo falar pelos outros penso que a Diane Arbus iria gostar disto: