Demitiu-se May. Não foi o meu mês, não. O discurso emotivo teve alguns laivos de esperança ‘Never forget that compromise is not a dirty word. Life depends on compromise.’ e a forma como terminou 'Because this country is a Union. Not just a family of four nations. But a union of people – all of us. Whatever our background, the colour of our skin, or who we love. We stand together. And together we have a great future.' Foi a desistência de um dos lados do Reino Unido. Porque há esta tendência de reduzir todas as coisas a uma direita ou a uma esquerda. E ficamos assim, a ter de escolher um lugar para nos posicionarmos, como se a vida pudesse ser preta ou branca. Dois, algo tão pequeno como o número atómico do Hélio. O segundo elemento químico mais abundante no universo, que nem sequer tem cheiro, nem cor. Há muitas coisas que simplesmente não vemos mas estão ali. O mundo é um lugar cheio de números, cheio de pessoas únicas, e absolutamente cheio de cores. Por vezes, só é preciso acreditar. É como enchermos um balão de hélio e ficarmos a vê-lo subir imaginando até onde pode chegar.
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sexta-feira, 24 de maio de 2019
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Angel By The Wings
Esta semana, os incêndios continuaram a calar as serras. Calar, porque o vento não pára para falar com árvores sem folhas. Nem as folhas se desprendem em danças com o fogo. O Outono parece deixar de ser Outono. Agora em cinzas, depois do fumo que nos mudou a cor do céu até aqui. A Natureza ocupa-se em levar as cinzas para dentro da terra ou para dentro do mar. Mas um fogo até pode ser bonito:
se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha – não te assustes
são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te
diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo – diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas – com eles no chão
E pedes aos anjos para murmurarem essa última canção. Depois, talvez alguém a enviar-nos a chuva. Ou os teus antepassados a pedirem a Deus essa chuva. Ou eu, com a força toda do mundo, sem acreditar em Deus, acreditando em mim. Ou tu. Porque seja o que for que venha, podes pensar que o tempo resiste sempre ao vento e tu, enquanto estiveres acordado, sabes que nunca haverá uma última canção. Look up, call to the sky/ Oh, look up and don't ask why, oh/ Just take an angel by the wings/ Beg her now for anything/ Beg her now for one more day/ Take an angel by the wings/ Time to tell her everything/ Ask her for the strength to stay./ You can do anything. Então pelas árvores que ainda temos, pelas folhas que esperam o vento passar, e, enquanto a chuva cair, devemos continuar a dançar.
domingo, 29 de janeiro de 2017
My Love
Na próxima vida hei-de lembrar-me disto. Amar mais. E de cantar, dançar, nadar, viajar, ainda mais. Porque uma hora há que não se sabe o caminho. Outra, é cada coisa por um objetivo. Quando sinto o que é o mais importante, não me ponho com demandas. Não me sento a ver o rumo dos dias, das coisas, dos sonhos. E eles vêm. Depois, espero um segundo para que te recostes para trás, respires com calma, e olhes para mim. Porque nesse segundo percebemos que nos encontramos para sempre.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Not About Angels, Breath Me
Rigorosamente o mesmo início. Eu, que me encanto a identificar as músicas não saberia, ao segundo ou terceiro segundos, distinguir o Not About Angels da Birdy do Breath Me da Sia. No começo, por certo, as mesmas teclas premidas ao piano. Depois a incorporarem vidas distintas. Mas canções com esta estrutura e simplicidade são, para mim, fatais para o silêncio. Ambas me impelem muita vontade de ouvir, de cantar, e de acreditar que estaremos, como sempre estivemos, guardados (they will come, they will go) para um mesmo ar que hás-de respirar de mim.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Eye of the Needle
We passed through the tight eye of the needle. A small space, so small that I believe has saved our souls. At least in those blue days. And I wanted to tell you about the power that love gives. It looks like a music with the size of the world where I move. Or I could be a grand piano, a harp. Anything with a lot of sound close to the sea in a day of high tide. And secretly I see you in everything. Always by my side. Things impregnated of life, color, books. Sprawling golden towels until the silvery night comes to make us get up. And let's go.
| Pt |
Passamos através do olho apertado da agulha. Um espacinho assim tão pequeno que acredito nos tenha salvado as almas. Pelo menos durante estes dias azuis. E queria falar-te sobre o poder que o amor dá. Parece uma música do tamanho do mundo onde me movimento. Ou serei eu um piano de cauda, uma harpa. Qualquer coisa com muito som junto a um mar em dia de maré cheia. E vejo-te secretamente em tudo. Sempre a meu lado. São coisas impregnadas de vida, de cor, de livros. Toalhas douradas estendidas até a noite de prata nos fazer levantar. E vamos.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Chandelier
Party's over. My fingers open constellations like I was making the bed of cats with the orbits of a hundred planets. Or it could be wire from a giant cocoon of silk. Both heat to sparkle in my hand. As gold that would burn later in my skin. A huge light. To wake up inside your eyes. One two three. One, two, three, three. I breathe all the pollen of last spring. And yet, I'll let you think I miss you. Yet it's only a lamp and its light.
| Pt |
A festa acabou. E os meus dedos abrem constelações como se fizesse a cama dos gatos com as órbitas de cem planetas. Ou podia ser fio de um casulo gigante de seda. Tanto calor a faiscar-me nas mãos. Como ouro que arderia mais tarde na minha pele. Uma luz enorme. Acordar dentro dos teus olhos. Um, dois, três. Um dois, três, três. Respiro todo o pólen da Primavera passada. E entretanto, deixo-te pensar que me fazes falta. Mas é apenas um candeeiro e a sua claridade.
domingo, 18 de janeiro de 2015
Elastic Heart
All week is a cage. When we leave it's still night and when we get home it's the night after. And work is everything that happens in between. We spend all day doing our best efforts to succeed. Life is what you chose to do. Since December I've improved so many things. Remains my strange way of thinking. Maybe my heart doesn't have a beautiful shape: and probably it's elastic because I'm never homesick. All week is a cage: we work, but we also laugh, and sing a lot. I'm happy. And this is Sunday.
| Pt |
Toda a semana é uma jaula. Quando saímos ainda é de noite e quando regressamos já é a noite seguinte. E o trabalho é tudo o que acontece entretanto. Passamos o dia a dar o nosso melhor para termos sucesso. A vida é o que escolhes fazer dela. Desde Dezembro eu melhorei muita coisa. Permanece o meu estranho modo de pensar. Talvez o meu coração não tenha um formato bonito; e, provavelmente, seja elástico porque eu não tenho saudades de casa. Toda a semana é uma jaula: nós trabalhamos, mas nós também rimos e cantamos muito. Estou feliz. E isto é o Domingo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Breathe Me
Some people are just born different. I like people and I'm saying this all the time. And it's not how good and how different you are that makes you special. It's not if you are notably talented. I see that you are quite good, maybe the best in my world, today. I think that most people are looking to become better, but great artists don't walk with ambition. They strive to be whoever they fell they already are. If you don't have the energy, just play nice. Now is the perfect time. Take the opportunity to be exactly who you are. Some people born performing their own acts. Just watch and don't be sad.
| Pt |
Algumas pessoas simplesmente nascem diferentes. Eu gosto de pessoas e digo isto a toda a hora. E não é o quão bom tu és e o quão diferente tu és, aquilo que te faz especial. Não é que sejas especialmente talentoso. Eu vejo que és bastante bom, talvez o melhor do meu mundo, hoje. Eu acho que a maioria das pessoas quer tornar-se melhor, mas os grandes artistas não avançam com ambição. Eles lutam para serem quem quer que eles já sabem que são. Se não tiveres energia suficiente, sê simpático. Agora é o momento perfeito. Agarra a oportunidade para seres exactamente quem és. Algumas pessoas simplesmente nascem representando os seus verdadeiros papeis. Observa e don't be sad.
domingo, 5 de outubro de 2014
Destiny
Destiny. Mysterious existence we moving in the world, and recognizing ourselves without the need for a common language. And happy the others, less awake. We, on the fringe of fear. Everything just happened, luckily. Reasons that had to do with the origin of time. Something there registered for us, long before we were born. The ceremony of our meeting at a time that one of us dictated and that the other agreed. Even a violin that appeared in excuse of being the instrument of angels. And after that? Maybe a moon of a different color or with a root-balloon with comets around her. And this is destiny.
| Pt |
Destino. Misteriosa existência aquela de nos movermos no mundo, e de nos reconhecermos sem necessidade de um idioma comum. E felizes os outros, menos despertos. Nós, na fímbria do medo. Tudo pouco por acaso, por sorte. Motivos que tinham que ver com a origem do tempo. Algo por lá registado para nós, muito antes de nascermos. A cerimónia de nos encontrarmos à hora que um de nós ditasse e o outro concordasse. Até um violino que aparecesse na desculpa de ser o instrumento dos anjos. E depois disso? Talvez uma lua de cor diferente ou com uma raiz-balão e cometas imóveis em volta. E isto é o destino.
sábado, 6 de setembro de 2014
Chandelier
A chandelier. Not just a chandelier hanged in the center of my sky. If precisely at the center and wherever I find myself. Here, in a version caressed by the piano, and, as I rarely accepted, only in black and white. Just following The Fault in Our Stars, I fell like dedicating one story to one universe. Then I look above and I find all the colors again. Anytime now: 1,2,3. 1,2,3. I just need to hold on to the lights and bulbs which are colors and candles, count to 3, then watch them fall like confetti. Until last scraps covering the floor. On for tonight.
| Pt |
Um lustre. Não apenas um lustre pendurado-se no centro do meu céu. Se exactamente no centro onde quer que me encontre. Aqui, numa versão acaríciada ao piano, e, como raramente eu aceito, apenas em preto e em branco. Justamente a seguir a The Fault in Our Stars, dá vontade de dedicar uma história a um universo. Depois olho acima e encontro novamente todas as cores. A qualquer momento agora: 1,2,3. 1,2,3. Só preciso de me agarrar às luzes e lâmpadas que são cores e velas, contar até 3, e vê-las cair como confetis. Até aos últimos papelinhos se deitarem no chão. On for tonight.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
L i f e is slowly U n r a v e l i n g
Dentro de um c de corrente há um o de onda que se senta num n de noite que lhe tinge de t de tinta o o de olhar. Porque a olhar o mar há sempre um conto que se lê. Cabe-me escrever devagarinho sob a linha do infinito, e trazê-la para a minha frente. Há tanta vida, tanto riso, tanto sentido. Tudo em letras ligadas em cadeia, como eu conto: vida, riso, sentido e tanta, tanta, tanta tinta para escrever o mar.
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