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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Canção de Engate


A aventura dos sentidos. Instantânea. Se estiveres em silêncio, a luz acende-te. Vê-se o poema a crescer em ti. Decoraste cada palavra. E danças ou queres dançar. É uma maré que nos leva. Eu danço. A mim levam-me certas canções. É o sangue rendido em artérias que nem sempre sinto. Um rasgo de loucura que aceito. O acontecimento descrito é sobre o poder (de vida) contido na música que a faz matéria. E sinto na pele dos braços a alegria dos instrumentos, tomando-me. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Outono

Agora que finalmente ando mais dedicada às letras, apetece-me (e atrevo-me a) declarar que o mês de outubro é um «outono ao rubro». E, hoje só por ser outono vou explicar matematicamente esta minha teoria: «outubro = (outono + rubro) = (out + ono + r + ubro) = (outubro + onor)». Sobra esta palavra: «onor» mas inche-se o «o» porque Onor é nome de rio. A situação é que a água agita as letras e como o «n» é melhor nadador passa a liderar a palavra: «nOor»; entretanto, o «r» cansado do lugar à rectaguarda inverte o movimento para ficar na dianteira: «roOn»; e, apanhando-o de costas, alguém dá uma pancadinha na cabeça do «O». Ninguém viu mas, em jeito de versalete, passou o «roOn» a ser «roon». Avizinha-se o mês de outubro e eu até já consigo ouvir esta maneira que os gatos têm de falar sobre afectos. Nisto, deixei o rio para trás porque os gatos têm medo de água fria. Fico com o outono e com eles: é que há sempre espaço no colo quando o frio começa a vir.