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domingo, 10 de dezembro de 2017

Cuba 1970

Uma música de Cuba do ano 1970. Não sei o porquê deste ano, provavelmente a celebração de algo para um dos Combo. Um aniversário, não se pode saber. Depois, a mesma canção com os dois do costume, mais a Royal Orquestra das Caveiras e ainda os outros instrumentos. Só para ouvirmos as diferenças das estrambólicas melodias que tocaram, daquela vez, no São Luís, com um conjunto de palmas no fim.


(e) 


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Visões Ficções

Ouço Dead Combo
as guitarras tocam
e há uma voz,  
embalando, 
para começar
em jeito de lullaby,
a abraçar a gente.
E eu
deixada em terra firme
com o mar em frente
vejo a passagem dos corpos
náufragos.

E ao 
escrever este texto-poema
percebo que 
todos os meus textos são poemas
e não há parágrafos 
nos meus textos-canção.

Ouço esta música
como uma nova condição,
não escrevo, 
sinto,
porque as pinturas na água 
são como corridas de corpos loucos
como ficção de cinema.
Da janela de casa
vai o ruído do mundo a passar,
e, na interpretação,
há sempre uma pena de ave
a cair na minha mão.

E ao 
escrever este texto-poema
percebo que 
todos os meus textos são poemas
e não há senão a verdade
nos meus textos-canção.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Putos a Roubar Maçãs

Há coisas que não têm maldade nenhuma. Já falei de o facto de se dizer «coisas» não trazer maldade nenhuma e outras há. Muitas mais. Tantas iguais inocências. O mundo é em tudo um tanto. Por exemplo, vou a caminhar descalça na praia e o mundo são inúmeros grãos. Ou, um búzio encostado ao meu ouvido, olho em frente e o mundo todo é o mar. O banquinho de madeira, vazio, e não é possível saber quantas pessoas já ali se sentaram. O mundo é todo esse passado de tempo e de gente. Mas já é tarde. Arrumo as minhas coisas. Deixo quase tudo para trás. Ouço o apito do comboio e dali a minutos sei que o mundo será uma sucessão de paisagens. Rápidas, muito rápidas. Tenho a mochila cheia de memórias. Cada peça uma história, com uma textura e um cheiro. Levo roupa para o frio, porque nunca se sabe. Ora faz calor, ora a noite vem ferozmente apertar-me os ossos, fazendo-me curvar. O mundo um tanto de poderes fortes. E a seguir vou mais longe. Aperto o cinto, vai daí aquele esforço inclinado no momento de levantar e o mundo é um tecto visto de cima com copas, telhados, uma geometria de caminhos, e até o mar de repente em silêncio: só uma página azul. Distante, muito distante. E nisto descalço-me e sinto areia entre os dedos dos pés. Apesar dos banhos que tomei. O mundo preso a nós. E agora vou estar aqui até aterrar. Tenho é vontade de comer qualquer coisa fresca. Vontade de subir a uma árvore. De ser criança e poder fazer o que nunca fiz. Vontade de ser ainda mais feliz. Como putos a roubar maçãs.