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sexta-feira, 8 de março de 2019

Your Lie in April

O nome, o título. Shigatsu wa Kimi no Uso "Your Lie in April" é uma série de manga. Como se as canções trouxessem mensagens inarráveis. Ou como se, ao dizerem tanto, tomassem o lugar de uma série inteira, para uma explicação mais longa ao longo de muitos episódios. Não tive curiosidade pela série mas agarrei-me à banda sonora. Não sei qual é o compositor, consegui descobrir que são vários. Estas composições com piano e violino têm anos, têm magia em notas de música que são poemas. A terceira sugere o Forbidden Colours de Ryuichi Sakamoto. Coisa curiosa, o vídeo de uma campanha no trabalho (para mantermos a marina limpa), me ter trazido até aqui. 




segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Bibo No Aozora

O Japão ainda na minha mira. - Iremos depois, dir-me-ias ao ouvido. E às vezes parece que te estou a ouvir. Vejo-me a olhar para ti. E continuo a ouvir-te. Sorrimos os dois. Acho que podia inventar letras para canções. Poemas que falassem da coragem que tens por mim. Da esperança que em ambos se sente. E da tristeza que guardo mesmo dentro da alegria que trago, sempre.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Merry Christmas Mr. Lawrence

Ainda é um bocadinho Natal e esta canção, cinematográfica, não tem barreiras de tempo. Como os retratos em branco e negro a música de Sakamoto é inescapável. Quero dizer, ouço uma vez, ouço repetidamente e a beleza subsiste-lhe, imutável. Acontece-me senti-la desta maneira. Não invejo quem não tem esta consciência ou sensibilidade. Há em mim um sentido mais profundo e designado diverso dos cinco com que todos nascemos. Penso que tenha mais que ver com as viagens marsupiais e com o ambiente em que nos movimentamos durante o crescimento, e menos com as características com que nos formamos nas barrigas maternas. Esta música é uma narrativa em que apetece trautear «naNananana-naNanana-nananana». Entre a alegria que isto dá cosida na pele e a verdade do quão completa é, em querendo acrescentar-lhe atributos onomatopaicos, pretendo apenas adentrar-me no seu submundo. Há músicas que têm uma dimensão muito nossa, sabemos pertencer-lhes. Regeneramo-nos com a ternura das épocas festivas, com o carinho do pequeno-almoço levado à cama, com o amor das coisas que prendem, e até com o medo do escuro. Porque as luzes e as fés interligadas quando tudo iluminado de palavras. Há, nesta canção, mãos extasiadas tocando poemas ao piano. Ainda é um bocadinho Natal porque a alegria cerzida no avesso dos ossos, desunida da carne, mergulha no espírito num movimento-canção intemporal.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Forbidden Colours

Sentimos, pensamos e com tantas certezas deliberamos também o que achamos. Escolhemos o bom, afastamos o vil, cercamo-nos de quem nos protege e de quem dominamos. Agarramo-nos ao desejo. Beijamos auroras mil. Fazemos o verbo inteiro que inventamos. Acreditamos no vento e, a seguir, baralhamos e voltamos a partir, errantes. Reinventamos cores enquanto dançamos e, no final, sabemos que somos pálpebras gigantes.

E nisto, o mundo redondo, tremendo, meio vazio de dia e meio cheio de noite. Ao longe suspenso por um fio de silêncio. Lá dentro, forjando os destinos humanos e, a cada novo instante, rindo de todos tão alto. 

(my life believes)