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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Winter

He says, "When you gonna make up your mind? / When you gonna love you as much as I do? / When you gonna make up your mind? / 'Cause things are gonna change so fast. / All the white horses are still in bed, / I tell you that I'll always want you near, / You say that things change my dear." Ainda faltam uns dias para partir. E para começar o Inverno. Mas este ano o Verão há-de chegar logo a seguir.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Creep

So what happens if they don't die at the age of 33? Because the ones that die young stay forever young. And if, suddenly, they are almost 54? Can they stay as fabulous as before? Truth is there are some of those. This release happened this week. It isn't a myth that vocals are to be timeless. If this lady does not love what she do, she does fool me well. At the 4:18 minute she is even more herself. One year ago, I talked here about covers and Tori, because contrary to what she says in the version of Yorke, she belongs here, that voice belongs to us all, for at least another 100 years. 



| Pt |

Afinal o que lhes acontece se não morrem aos 33? Porque os que morrem seguram-se eternamente no auge. E, se, de repente, já vão a caminho dos 54? Será que podem continuar fabulosos? Na verdade há disto. Esta versão aconteceu esta semana. Não é um mito um timbre ser intemporal. Se esta senhora não ama o que faz, engana-me bem. Ao minuto 4:18 ainda é mais ela. Há um ano falei aqui de covers e da Tori porque ao contrário do que diz na versão de Yorke, ela pertence aqui, aquela voz é de todos nós, durante pelo menos mais 100 anos. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Smells Like Fresh Tangerines

Se alguém decide fazer uma “versão” escrita da obra de um escritor isso é plágio ou então, apanhando levemente uma ideia, inventa-se uma nova estória para contar e passam a ser obras distintas. Fazer a versão de um texto cuidando de respeitar os seus direitos autorais cabe apenas às editoras onde compete transformá-lo por fora: mudar-lhe o tipo de letra, aumentar ou reduzi-la, alinhar o texto, alterar o espaçamento entre linhas, todavia, no final, vamos ler exactamente a mesma coisa. Por outro lado, vamos encontrar cenários díspares fruto da leitura, independentemente da estética impressa pelas palavras. Cada estória pode ser uma projecção diferente dependendo da compreensão de quem a lê e de que maneira a sente. Aliás, cada um coloca a sua consciência no lugar dos olhos. Por isso, reinterpretar uma estória para as massas passa por metamorfoseá-la sob a forma de outra arte, pode ser (por exemplo) a sua reprodução em filme. Nesse caso, os cenários são partilhados mas as coisas são distintas porque esquecendo a palavra escrita somos formatados para uma só interpretação – a filmada. E, em geral, baseamo-nos muito no que vemos e a margem para a invenção não é grande. Nem na arquitectura é possível partir do vazio para criar, ficamos condicionados pelas limitações de construção da engenharia e do tempo e, se olharmos da lua, (apetece dizer que) a vida parece estar constantemente balizada pela realidade. Projectar e conceber à risca os espaços sonhados seria como habitar as Cidades Invisíveis do Calvino. Só com os pés assentes no campo da música é possível abanar um limoeiro carregadinho de limões e dele colher tangerinas: na verdade, uma cover consegue muitas vezes, dependendo dos gostos, superar a versão original de uma canção.  


Além desta magnífica interpretação da Tori Amos (antagónica à abordagem de Lana Del Rey para o Heart Shaped Box), eu gosto especialmente de ouvir a versão de Stormbringer do Beck (relativamente à original de John Martyn) e a versão de Heartbeats (The Knife) interpretada pelo sueco José González:



Uma cover é uma indumentária nova à maneira do espírito que a veste. Na passerelle das canções, sempre que a voz muda (e com ela o estilo, os instrumentos, a própria cadência da fonte) são despertados necessariamente novos caminhos que podemos escolher seguir. Uma música pode tornar-se sensualíssima como escolheria (de entre milhares de versões de G. Gershwin) o Summertime vestido pelo trip-hop dos Morcheeba:


Existem inúmeros exemplos de covers que conquistaram lugares do pódio, destronando as versões originais (aqui: Top 10 Cover Songs - watchmojo.com). Nos tempos que correm, estão sempre a surgir novos exemplos que, mesmo não correspondendo a uma predilecção massificada, deleitam os fãs como a versão dos Linkin Park do Rolling In The Deep (Adele), ainda a interpretação de Landslide (Fleetwood Mac) pelo Antony Hegarty (depois da inesquecível versão dos Smashing Pumpkins), e a crítica tem sido generosa com outros, cujas carreiras estão a começar, como é o caso da Birdy depois do seu Skinny Love (Bon Iver) ou o fôlego novo do Wicked Game (Chris Isaak) pela voz da Beck Wood (Coves). Há ainda quem tenha a proeza de tornar quase irreconhecível o original como os Punch Brothers fizeram neste amagicado Kid A (Radiohead)mas muitas outras covers primam pela genialidade, como Somebody That I Used to Know (Gotye) dos Walk Off The Earth que, apesar da criatividade, não chega a todos, e o mais engraçado é que ainda se conseguiu fazer mais desta música numa espécie de remistura de várias interpretações (que até inclui a anterior): e esta é a - mais ou menos anónima - cover das covers:



No meio de tanto talento, continuam a cair tangerinas maduras do limoeiro mas já não tenho espaço para todas as etiquetas.