Who knows who are the architects of my fate? Who else must die with me in the caustic sweetness within a song? Who taught me to salute in a boiling way the things of the heart? And who designed thorns in the rose gardens of coffee machines that arouse me without notice? Who remembered to create the paint when the dawn broke? And who dared to dress up the sky of the nights I dream of the time to come? Who is surprised by the wonderful beauty of the next day? Who? All around the table, everybody’s staring.
| Pt |
Quem sabe quem são os arquitectos do meu fado? Quem mais há-de morrer comigo na doçura cáustica de uma canção? Quem me ensinou a saudar de maneira fervente as coisas do coração? E quem desenhou espinhos nos roseirais das máquinas de café que me despertam sem pré-aviso? Quem se lembrou de inventar a tinta da madrugada? E quem ousou enfeitar o céu nocturno das noites em que sonho com o tempo por vir? Quem se espanta com a admirável beleza do dia seguinte? Quem? All around the table, everybody’s staring.
Ninguém tenha dúvidas sobre a capacidade de sentirmos a vida do interior para o exterior. «Fazer a festa» tem pouco que ver com organizar eventos a pretexto de... (bem, talvez de tudo), e receber pessoas, gente, muita gente, muita além da necessária. (Às vezes parece que a multidão mascara o vazio, parece.) «Fazer a festa» não é uma desculpa para carregar na maquilhagem, nem para prestar maior atenção ao pormenor: o glamour da roupa nova, tornar o dia especial. Todos os dias são especiais. É isto: Todos-os-dias-são-especiais. Agora, por escrito: cento e três vezes na ardósia. Em caixa alta: Todos-Os-Dias-São-Especiais. Cento e três, justamente, para não me reduzir ao cem de todos os dias. (E o que será isso de ser diferente? A Annie Leibovitz declarou que nunca pediu a ninguém para sorrir antes de disparar a câmara. Penso que poderá ser isto, o tal «ser genuinamente original». Eu já não vou a tempo de afirmar o mesmo.) Por isso, façam o favor de sorrir e, já agora, façam também o favor de «fazer a festa»: pegar na mão, levá-la ao «objecto», e passeá-la, corrê-la no «objecto». Instalar-se-á uma felicidadezinha de balão a encher. Nem sempre é possível fazer isto. Levar a mão.
Out of Africa, Lisboa (c/ Panasonic DMC-G5)
Então, olhemos à distância, segurando aquele momento. Como eu ali há uns dias, de poltronas nas pálpebras. Lembro-me de estar a sorrir aturdida pela vontade de esticar a minha mão. Uma mão que esticado o braço não chegaria. E a vontade passa a ser a de me demorar naquilo porque o coração está cheio. Tão cheio. De maneira que consigo tocar no «objecto» porque sinto isso por dentro. Há coisas que não têm de ter explicação. Gosto mesmo muito de animais. E foi tão bom quando o Sol de repente veio cobri-los. Cheguei a pensar que ia faltar à festa mas, a minha mão a agarrar em cheio aquilo tudo: o mundo em rotação e naquele quadro (sem tempo e sem espaço) uma beleza muito pura de savana, o Sol a acomodar-se, a tranquilidade da vida, aquele presente muito presente, o futuro a parecer muito vivo e aquela certeza inteira de sentir (muito mais que cento e quatro vezes) que todos os dias são mesmo especiais.