Mostrar mensagens com a etiqueta Amiina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amiina. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

I Was Trying to Sleep When Everyone Woke Up

O tempo passa e este rapaz continua a brincar aos instrumentos. Há quem prefira não levar a vida muito a sério porque a ela (à vida) tanto lhe faz como a vestimos todos os dias. O homem-orquestra (como lhe chamam) é David Santos, mais um engenheiro que derivou para as artes. E ninguém diga que o seu trabalho não é sério, porque neste caso é só a vida que se mantém animada. E este "só" é vasto. O seu projecto intitula-se Noiserv. Dentro da mesma sonoridade só me ocorrem as CocoRosie (de quem já falei aqui), por causa dos brinquedos que escolhem reunir ao improvisar a sua música, e as Amiina devido aos xilofones. Saiu há dias o novo disco "Almost Visible Orchestra" e I Was Trying to Sleep When Everyone Woke Up não surpreende nem destoa. Talvez por esta faixa falar sobre amizade, David fez-se acompanhar por um coro de amigos que convidou para cantar: Rita Redshoes, Luísa Sobral, Francisca Cortesão (Minta), Luís Nunes (Walter Benjamin), Afonso Cabral e Salvador Menezes (You Can't Win, Charlie Brown), entre outros. Uma década passou e algo mudou. Os instrumentos continuam a ser muitos mas Noiserv já não está tão solitário. Neste recreio disciplinado ninguém quer apagar a luz. Estes momentos de talento merecem atenção. Apetece ficar a ouvir. Aumentar o volume. Puxar o móbile. Encher a parede de luzes e pendurar sombras no tecto. Ver as bolinhas a passar. Empurrar o comboio na pista. Abrir a caixinha e fazer companhia à pequena bailarina que gira em cima do espelho. Dançar. Tenho a certeza que a noite há-de esticar-se provavelmente até de manhã. Se eu conjugar o verbo ouvir, acredito potencialmente num efeito contágio: «You should fell like us.» Eu bem sei que é tarde mas também eu tentava dormir quando toda a gente acordou.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Da Islândia com Amor

Foi a Björk que me levou à Islândia. Foi através dela que descobri os Sigur Rós, depois as Amiina, os GusGus, os Múm, os Seabear, os projectos a solo do Jónsi, da Sóley, da Emilíana Torrini, entre outros. Acompanho estes talentos há muitos anos e nunca me desiludiram. 

Gosto de revisitar a Emiliana numa das mais felizes faixas que conheço para traduzir e endereçar o “estar-se feliz”, o que ali acontece e convence entre borboletas, sorrisos, dança, e muita alegria, contagiando e inspirando outros (assim):



Mais exemplos do que não deve passar despercebido: a ousadia dos GusGus em Dominique que, apesar de pertencer a um álbum de 1999, bem poderia ser uma versão mais cristalina e adaptada aos tempos modernos do I am what I am da Gloria Gaynor. O absolutamente emotivo Fjarskanistan das Amiina onde os xilofones ditam o compasso da vaga balada de fundo, também a mesma banda em Over and Again numa espécie de brincadeira de meninas onde as vozes se misturam num cenário igualmente etéreo. Ou ainda no mesmo registo, os Múm com o mítico Green Grass of Tunnel:


que descobri na banda sonora do "Screaming Masterpiece", um documentário de 2005 sobre a música popular islandesa, a par da faixa mais arriscada em termos de movimento We have a Map of the Piano que também merece uma nota, transportando-nos para uma janela de comboio onde as paisagens se sucedem e, simultanemante, embalam fazendo-nos fechar os olhos e imaginar. Mais recentemente, os Of Monsters and Men vieram provar que a terra contínua fértil e capaz de produzir do gelo bandas de inquestionável qualidade. 



A música já de si um fenómeno potencialmente enebriante tem pela área da Islândia uma dimensão paralela ainda mais elevada, quase mística. Outro exemplo são certamente as composições impressionistas de Jóhann Jóhannsson. É invariável a aproximação filosófica no entoar dos ritmos islandeses. Na maioria destes projectos pode reconhecer-se com frequência o recurso a um grande número de instrumentos. Existe a combinação da orquestra clássica com a música electrónica e o resultado é uma esplendorosa surpresa minimalista traduzida através de tecido musical. 

São bandas delicadas mas, coloco na linha da frente os Sigur Rós porque inventaram inclusivé um dialecto próprio "Volenska" para exprimir a linguagem dos sentimentos no álbum “()”. A dificuldade é escolher uma só faixa destes senhores porque trago-as todas na algibeira das minhas preferências. A fechar, fica o belíssimo Tornado do Jónsi porque representa explosão, crescimento e revolução humana como só o Amor pode. Se tudo isto não é suficiente para colocar Reykjavík na lista das capitais a não perder, pode também levar-se a ideia de encontrar algumas das mais belas paisagens do planeta. E eu hei-de lá ir um dia pôr as mãos naquela terra fria para desenterrar varinhas de condão.