segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

You Don't Understand It

Era sobre o ouro do outro dia. Duas vezes mais natural e três mais largo do que a vida. Porque brilhávamos. Ou eras tu, daquela maneira tão tua, que me iluminava também. Fazendo-me rainha. Uma iluminação sem sombras. Radiosa e preciosa de espíritos livres. Já tinha escrito sobre a outra canção mas fui dar a esta. Agora é agora. I just run away from you. Há sempre caminhos impossíveis para correr atrás. 

sábado, 23 de janeiro de 2021

The Sorrowful Wife

 

Um acesso súbito de ficar onde estamos. Justamente a esta distância. Aquilo que não se compõe de palavras, a ficar por dizer. E tanto tanto que não se transforma em palavras. Um futuro inteiro de palavras minhas que não se misturam com palavras tuas. Palavras de parte nenhuma. Loucas mortas antes de nascer. E eu nunca minto. Dizias: The warer com érre em inglês americano e eu só ouvia o teclado. Ele também dizia: The water is high on the beckoning river/ I made her a promise I could not deliver, abrindo caminhos invadidos de segredos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Spirit Bird

 

Em certa medida, há uma revolução pontualmente no espírito de todos. Só não sabemos a hora. Uma razão que pode ser um coração ou uma falta. A evidência da vida nos momentos de amor. Uma história que é passado e presente. Os rostos olhando tudo das paredes. Uma leitura de dedos, no rosto, nos olhos, na alma. Fendas que se abrem na terra, gritos que chegam pelas ondas. Os pássaros e as tribos cantam. O resto, os nomes, poderão ser esquecidos. And slowly it fades.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

The Song of the Golden Dragon


Com espada de ouro, de fogo, tocava. Aqui é uma noite mais acesa, a sombra tem fumo e aroma de incenso. Esvai-se lentamente o fumo, ondeando, até ao desaparecimento. O dragão sobrevoando, soltando chamas. Pedaços da tarde caem atrás. O vento incolor não passa. Ninguém fala nem canta. E sob esse silêncio, uma guitarra há muito arde.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

The Sunshine Underground

 

The Sunshine Underground. Uma espécie de pêndulo. Noite pendente subterrânea. E embalando-nos. Sobre a mesa, uma vela ao contrário. Vermelha. Depois, o corpo destro para a esquerda. E levo pendurado um fio. Outro corpo que sai do lugar. Vagaroso. Um, dois, sob o soalho ardente. A velocidade aumenta no frio. Com sangue de todas as cores. E não consigo parar de tremer. O tempo lentíssimo. A bicicleta, com a campainha a avisar quem se atravessa. Porém, ninguém. O rum líquido a esconder-me as chaves de casa. E parece que dançamos. 

(Escrito sobre o 28 de Dezembro mas num outro dia)

sábado, 19 de dezembro de 2020

Saturdays (Again)


Um Sábado como os outros. E descaradamente diferente. Não há regresso de onde ainda não fomos. A camisa um pouco fora das calças, imaginando que corrias. O gato é de lá, do lugar das estórias das crianças. Talvez um pequeno sinal em crescimento. E, outra vez Sábado. Com a névoa no horizonte, uma certa volúpia de mistério sob o rio. Por ser Inverno não tem necessariamente de ser frio.